Geadas intensas podem elevar preços de alimentos no Estado na próxima semana

Produção de hortaliças e citros são prejudicadas com frio intenso no Sul e Sudeste do país

Geadas intensas podem elevar preços de alimentos no Estado na próxima semana Prefeitura de Tio Hugo/Divulgação

Onde de frio dos últimos dias é a mais intensa dos últimos 13 anos Foto: Prefeitura de Tio Hugo / Divulgação

Joana Colussi

joana.colussi@zerohora.com.br

O frio que congelou os gaúchos e revestiu as paisagens de branco nos últimos dias poderá ser sentido também no aumento de preço de hortaliças e frutas consumidas no Estado. Prejudicadas por intensas geadas, no Sul e no Sudeste, a produção agrícola de plantas e frutos sensíveis a quedas bruscas da temperatura tende a provocar aumentos no varejo a partir da próxima semana.
Tradicionalmente, instabilidades climáticas como geada e queda de granizo provocam aumento de preços uma semana após as ocorrências.
— É cedo ainda para medir os danos causados na produção de hortaliças e citros. Mas é bem provável que haja algum aumento na semana que vem, especialmente nas hortaliças vindas do Sudeste, onde a geada não é comum — explica Claiton Colvelo, da Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa), por onde passa um terço dos hortigranjeiros in natura consumidos no Estado.
Elevações de preços devem ser percebidos também na produção gaúcha de alface, couve e outras folhosas não protegidas por estufas ou túneis. Na pecuária, os impactos da geada também são negativos, embora não imediatos.
— As pastagens param de brotar com o frio intenso, prejudicando a nutrição dos animais. Se o produtor não tiver reserva de pasto ou não complementar a alimentação com silagem ou suplementos, o gado pode perder peso e as fêmeas diminuirem a possibilidade de terem crias — explica Carlos Simm, integrante da Comissão de Pecuária de Corte da Farsul.
Para as culturas de inverno, no entanto, o frio intenso nesta época não é prejudicial. O risco para as lavouras de trigo e aveia, por exemplo, é de geadas tardias no período de reprodução da plantas — na segunda quinzena de setembro.

— O frio intenso é positivo, especialmente para fazer um equilíbrio natural das lavouras, com a eliminação de resíduos das culturas de verão, como soja e milho —explica Dulphe Pinheiro Machado, gerente técnico estadual da Emater.

O impacto da onda de frio na produção de alimentos

Culturas de inverno
As lavouras de trigo, aveia, centeio, cevada e canola estão no ciclo de desenvolvimento vegetativo, período em que o frio é benéfico. A geada inclusive ajuda no controle natural de algumas pragas, como pulgões. Temperaturas negativas seriam prejudiciais apenas na fase reprodutiva das plantas, na segunda quinzena de setembro.

Frutas
Culturas da maçã e uva, por exemplo, precisam de frio nesta época do ano. Quanto mais baixas as temperaturas, melhor para o desenvolvimento dos frutos.

Citros
A geada e frio intenso podem congelar o fruto, estrangando-o e causando queda. A laranja valência e bergamota montenegrina estão com apenas 20% da colheita concluída no Estado, enquanto outras variedades estão mais adiantadas — provavelmente as menos afetadas.

Hortaliças
A geada normal queima e congela os tecidos da planta, enquanto a chamada geada negra, com tempo mais seco e frio, congela a seiva das hortaliças e causa o apodrecimento das folhosas. O frio rigoroso atinge em cheio a produção não protegida por estufas, como alface, couve e beterraba. O mesmo ocorre com hortaliças fruto, como tomate, pimentão, pepino e abobrinha — trazidos do Sudeste neste período por causa da entressafra gaúcha.

Pastagens de gado
O frio rigoroso e geada paralisam o desenvolvimento das pastagens, normalmente cultivadas com aveia e azevém. À medida em que o gado vai se alimentando, as gramíneas deixam de brotar, reduzindo a qualidade nutricional da pastagem. A deficiência alimentar dos animais causa perda de peso no caso dos machos e redução do índice de prenhez entre as fêmeas.

Fontes: Emater-RS, Farsul e Ceasa

Fonte: Zero Hora