Geada ameaça áreas de trigo e milho no RS

A geada registrada na madrugada de ontem no Estado e a iminência de nova ocorrência hoje trazem preocupação para os triticultores gaúchos. O fenômeno, que também ocorreu no ano passado e derrubou a produção de trigo no RS, já afetou lavouras em Santa Rosa, Ijuí, Passo Fundo e Missões. De acordo com o assistente técnico da Emater, Ataides Jacobsen, ainda é prematuro avaliar o impacto, pois, no trigo, o efeito só pode ser detectado após dois ou três dias. ‘Na segunda ou terça-feira será melhor para avaliarmos os danos.’ Lavouras de milho também foram prejudicadas.

Em Passo Fundo, onde o plantio de trigo é de 80 mil hectares, abrangendo 40 municípios, 70% da área está em fase de espigamento, 20% emborrachamento e 10% em desenvolvimento. A primeira delas é a mais suscetível à geada, pois os vasos que transportam a seiva são rompidos, impedindo o desenvolvimento dos grãos. Em Ijuí, onde a temperatura mínima foi de 2ºC e a área ocupada com o cereal é de 13 mil ha, há preocupação também com as plantas que estão em fase vegetativa (20% da lavoura). Segundo o técnico agropecuário Edevin Bernich, a água pode congelar dentro do trigo, o que impede o seu crescimento. Em Chapada, onde o maior risco está em lavouras em fase de espigamento, o agrônomo Mauro Rohr recomenda suspensão das aplicações de químicos. Em Santa Rosa, o técnico agropecuário Fábio Luiz Scalco diz que o milho foi bastante afetado. ‘Na localidade de Sete de Setembro, uma área plantada de 45 ha foi 50% queimada.’ Embora não haja dados precisos dos prejuízos, as perdas são dadas como certas tanto no cereal de inverno quanto no de verão.

A Conab e o Banco do Brasil (BB) firmaram contrato para que a instituição financeira atue na gestão e fiscalização das obras de armazéns no país. Nas próximas semanas, o BB deve anunciar editais de chamada pública para os projetos.

Fonte: Correio do Povo