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Gavilon deve investir até US$ 300 milhões no país

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Ana Paula Paiva / Valor
Frederico Humberg, da Gavilon: empresa poderá destinar US$ 150 milhões para estrutura de armazenagem no país

Trading em expansão, mas com atuação ainda discreta no Brasil, a Gavilon, de origem americana e controlada pela japonesa Marubeni há pouco mais de um ano, se prepara para reforçar os investimentos em originação de grãos, armazenagem e logística no país. Os planos envolvem aportes que podem chegar a US$ 300 milhões no curto prazo, montante que deverá contribuir para sustentar o já acelerado crescimento da companhia.

"Nossa previsão é fechar 2014 com um faturamento de US$ 1,5 bilhão no país, e alcançar os US$ 2,5 bilhões no ano que vem", disse ao Valor Frederico Humberg, diretor-presidente da Gavilon do Brasil. Em 2013, ano em que começou a operar mais fortemente no país, a empresa contabilizou uma receita da ordem de US$ 400 milhões, com a movimentação de 800 mil toneladas de grãos, especialmente soja, milho e trigo. Este ano, o volume deverá ficar em 3,3 milhões de toneladas, passando a 6,3 milhões em 2015, nos cálculos do executivo.

A estratégia da Gavilon no Brasil passa pela compra de uma infraestrutura de estocagem, hoje terceirizada. "Estamos andando a passos largos numa primeira aquisição no Brasil, de cerca de US$ 100 milhões a US$ 150 milhões, que depois será consolidada com aquisições em outros Estados", afirmou Humberg. A companhia mantém conversações desde julho deste ano com uma empresa de atuação regional e prevê concluir o negócio até janeiro ou fevereiro de 2015.

A trading estuda, ainda, investimentos em um terminal portuário no Norte do país, que poderá absorver US$ 150 milhões para movimentar de 5 milhões a 6 milhões de toneladas anualmente. Desde 2009, a companhia aguarda uma concessão do governo na área do corredor, formado pela rodovia BR-163 e a hidrovia do Rio Tapajós. A empresa também não descarta aportes em portos "mais maduros", casos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), que carecem de expansão.

Responsável pela negociação de cerca de 50 milhões de toneladas de grãos por ano, a Gavilon foi uma das pioneiras na construção de silos e recepção de grãos nos EUA – e mudou de nome algumas vezes ao longo de sua trajetória. Nasceu como Peavey & Company no século 19 e foi adquirida na década de 1980 pela ConAgra Foods, gigante americana do setor de produção de alimentos.

Denominada ConAgra Trade Group (CTG), passou a responder por toda a compra de matérias-primas da ConAgra, com investimentos em transporte, logística e armazenagem nos Estados Unidos. Com o crescimento da CTG, houve a decisão por fazer um "spin off" e separar toda a área de originação, vendida em 2008 para três fundos americanos [entre eles o comandado pelo megainvestidor George Soros] e renomeada para Gavilon.

A Gavilon fez algumas aquisições nos EUA e se tornou a segunda maior originadora de grãos daquele país, atrás apenas da ADM. Em julho de 2013, foi adquirida pela trading japonesa Marubeni por US$ 5,6 bilhões, valor que inclui as dívidas da empresa. Atualmente, a Gavilon movimenta nos EUA cerca de 43 milhões de toneladas de grãos e distribui 5 milhões de toneladas de fertilizantes, além de deter uma capacidade de armazenagem de quase 11 milhões de toneladas no país, distribuídas em mais de 300 pontos de recebimento. Além dos EUA, a companhia tem um forte braço de vendas do norte da África, no Oriente Médio e na Ásia, especialmente na China.

O faturamento global da companhia totalizou US$ 17,8 bilhões em 2011, quase o triplo de dois anos antes – e com os progressivos recordes de produção de grãos nos EUA, não é difícil imaginar que o bom ritmo de crescimento da companhia tenha se mantido. A Marubeni, que atua também em setores como o de produtos químicos e energia, registrou uma receita de US$ 68,5 bilhões no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2014.

No Brasil, a Gavilon começou a ganhar corpo apenas dois anos atrás, com a aquisição da consultoria Agriservice, que tinha investimentos em terminais portuários e auxiliava compradores de grãos estrangeiros no acesso ao mercado brasileiro. A movimentação do Brasil não chega a 10% do total dos EUA, mas o potencial é grande, na avaliação de Humberg.

"A China, que é o nosso principal mercado, compra 40% de produto americano, 40% de brasileiro e 20% de outras origens. Então a tendência é crescer bastante no Brasil". Diferentemente de outras tradings globais, como Bunge, Cargill e ADM, a Gavilon não tem nenhum ativo de processamento. "Grandes esmagadoras chinesas tendem a nos dar preferência, porque sabem que temos capacidade financeira e não concorremos com elas", disse o executivo, reforçando que a companhia caminha ainda para se tornar o maior importador independente de trigo do país.

Na ponta da oferta, a Gavilon pretende mudar um pouco a lógica de compra e venda de grãos. Hoje, sua atuação está concentrada nos portos, mas o objetivo é avançar para o interior do Brasil no ano que vem. "Por isso, montamos ou reativamos filiais no Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Mato Grosso", explicou Humberg. Nos próximos seis meses, a ideia é criar escritórios de representação em outros países da América Latina, caso de Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai.

Embora o carro-chefe seja a soja, a Gavilon prevê margens melhores com milho, trigo e operações de exportação por contêineres em 2015. Este ano, a companhia já embarcou 10 mil contêineres com granel, modalidade que ganhou força nos EUA nos últimos anos, utilizando-se contêineres que vinham com produtos da Ásia e eram deixados no interior no país. Para não voltarem vazios à origem, passou-se a carregá-los com grãos. Um contêiner leva 25 toneladas, e um navio graneleiro, até 65 mil toneladas. "No Brasil, ainda é um mercado incipiente, representa cerca de 1% das exportações. Nos EUA, são 5%. Mas é uma opção adicional e mais barata em relação aos graneleiros", disse o executivo.

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Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo