Ganhos do Moinho Pacífico tiveram queda de quase 90% no ano passado

Um dos maiores importadores e processadores de trigo da América Latina, o Moinho Pacífico, do empresário Lawrence Pih, informou que teve em 2014 um lucro líquido de R$ 9,425 milhões, forte queda em relação ao montante de R$ 80,644 milhões de resultado líquido registrado em 2013.

O balanço, publicado no Diário Empresarial de São Paulo, mostra que pesou no resultado um aumento da despesa financeira líquida. Em 2014, esse tipo de gasto foi a R$ 37,1 milhões, ante os R$ 5,1 milhões registrados no ano anterior. Além disso, despesas gerais e administrativas tiveram forte alta. Foram de R$ 12,2 milhões em 2013, para R$ 61,5 milhões em 2014. A empresa não informou o motivo do aumento desses gastos.

O moinho, que adquire trigo no mercado interno e também importa a matéria-prima e a farinha, registrou queda em suas vendas em 2014. A receita operacional líquida decresceu 2,1%, para R$ 278,4 milhões. O custo dos produtos e serviços, em igual comparação, foi 1,5% mais baixo, de R$ 194,3 milhões.

Apesar do resultado mais acanhado em 2014 na comparação com 2013, o Moinho Pacífico continuou com dívida líquida negativa. O endividamento com empréstimos e financiamentos foi a R$ 126,1 milhões ao fim de 2014, 11,8% acima dos R$ 112,7 milhões de um ano antes. No entanto, descontadas o caixa e outros ativos de alta liquidez, a dívida líquida foi negativa em R$ 7,6 milhões. Em 2013, também havia sido negativa em R$ 37,4 milhões.

O ano de 2014 foi desafiador para os produtores de trigo e para o setor moageiro no Brasil. Os dois principais Estados produtores do cereal no país, Paraná em Rio Grande do Sul, tiveram perdas de quantidade e qualidade, em função de chuvas ocorridas na colheita. No caso do trigo gaúcho, a perda abrangeu metade da lavoura. Importador líquido do cereal – o Brasil consome 11 milhões de toneladas, mas só produz 5 milhões -, o país teve em 2014 que importar um volume maior de trigo de fora do Mercosul, pois a Argentina, tradicional fornecedor do cereal, também teve uma oferta menor.

Ainda que o governo tenha isentado a importação de trigo de fora do bloco da incidência da Tarifa Externa Comum (TEC), de 10%, essa desoneração não vigorou por todo o ano. Por isso, algumas indústrias acabaram pagando a TEC, o que elevou o custo de aquisição do trigo.

Neste ano, dois outros moinhos de médio e grande portes divulgaram seus balanços referentes ao exercício de 2014. O Moinho Anaconda, um dos maiores do país, informou que teve em 2014 um lucro líquido de R$ 109 milhões, 26,7% acima dos R$ 86,6 milhões de 2013. Com movimentação de 100 mil toneladas de farinha por ano, o Anaconda informou que seu desempenho se deveu, em parte, à atuação no mercado de farinhas tipificadas, para o atendimento de demandas específicas de seus clientes.

O Moinho Santa Clara, de São Paulo, informou que teve em 2014 um lucro líquido 23% menor, de R$ 12,2 milhões. Conforme o moinho, o resultado sofreu impacto do maior custo de aquisição de trigo.

Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo