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Gaúcha Piá adota parcerias para crescer

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Às vésperas de completar 45 anos, em outubro, a cooperativa Piá, com sede em Nova Petrópolis (RS), decidiu apostar em parcerias para crescer. A estratégia, que busca ampliar as margens por intermédio de ganhos de escala e diversificação de portfólio sem a necessidade de investimentos pesados, começa a ser colocada em prática com negociações nas áreas de aquisição de insumos, varejo e produção de lácteos.

"As parcerias são o caminho para ganhar competitividade, flexibilidade e remunerar melhor os associados sem gerar grandes imobilizações", diz o presidente Gilberto Kny. A Piá aderiu ao Programa de Reestruturação das Cooperativas Gaúchas, que conta com o apoio do Rabobank, e é a que tem projetos mais avançados nesta área entre as 49 participantes, diz o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro), Rui Polidoro Pinto.

Em 2012, a Piá projeta uma alta de 12% no faturamento ante os R$ 400 milhões do ano passado e crescimento "um pouco maior" em relação ao resultado líquido de R$ 7 milhões em 2011. Agora, com as alianças, Kny quer manter uma taxa de expansão anual entre 12% e 15% e aumentar a receita em cerca de 50% nos próximos três anos. "E o resultado tem que crescer mais", analisa.

Segundo o presidente, algumas negociações em curso devem ser fechadas ao longo dos próximos dois meses. Uma delas prevê a formação de uma central de compras de insumos com o objetivo de reduzir entre 3% e 8% os custos com aquisições de fertilizantes, defensivos, sementes de milho e pastagens de inverno, que atualmente exigem um desembolso de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões por ano.

O primeiro acordo já foi fechado com a cooperativa Pradense, de Antônio Prado, que consome cerca de 8% do volume de insumos utilizados pela Piá. Mas a central poderá incluir a Cosulati, de Pelotas, dona da marca Danby, que tem uma demanda semelhante à da cooperativa de Nova Petrópolis, explicou Kny.

O dirigente também está negociando o aluguel de parte da capacidade industrial instalada da Cosulati para produzir derivados de leite que ainda não fazem parte do portfólio da cooperativa, como manteiga, e acabou de acertar a produção de leite em pó na planta da Cosuel, de Encantado. Hoje a Piá produz apenas mil toneladas por ano do produto na Cootall, de Taquara, que são vendidas para a Conab.

Além de Nova Petrópolis, a Piá tem unidade de produção de laticínios em Vila Flores, mas fabrica creme de leite, achocolatados e leite condensado na cooperativa Castrolanda, no Paraná. O problema é que até 70% dos 500 mil litros de leite captados diariamente ainda são vendidos como longa vida e a meta de Kny no "médio prazo" é reduzir esta participação para 50%, com a expansão dos volumes de derivados, incluindo ainda fermentados, bebidas lácteas, requeijão, queijo e doce de leite.

Dona de nove supermercados, a cooperativa também já começou a discutir a adesão à rede varejista Redecoop, que está sendo montada pela Cotrimaio, de Três de Maio (RS), e deve ser lançada em agosto. Só neste segmento a Piá tem 15 mil associados, além dos 2,5 mil cooperados que fornecem leite e de outros mil que produzem frutas.

De acordo com Kny, a Piá produz 4 mil toneladas de doce de frutas por ano, mas a meta é pelo menos dobrar o volume até 2015. Esta linha é verticalizada e até abril do ano que vem será inaugurada uma nova indústria em Nova Petrópolis com capacidade inicial de 5 mil toneladas por ano, mas planejada para chegar a 12 mil toneladas anuais até 2016. Junto com a expansão da área de fermentados e do espaço de estocagem na cidade, a nova planta exigirá investimentos de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões de 2011 a 2013.

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Fonte: Valor | Por Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre