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Fusão da Perdigão com a Sadia corre risco no Cade

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Fonte: Valor | Juliano Basile, Graziella Valenti e Alda do Amaral Rocha | De Brasília e São Paulo

O início do julgamento da compra da Sadia pela Perdigão no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu forte indicação de que o órgão pode vetar o negócio que criou a BRF – Brasil Foods. O relator do processo, conselheiro Carlos Ragazzo, reprovou a operação e indicou que, se o seu voto prevalecer, a união entre as empresas deverá ser desconstituída em dez dias após a publicação do resultado do julgamento no "Diário Oficial". O voto fez a cotação das ações da BRF cair 6,3% e o valor de mercado da empresa encolher em R$ 1,5 bilhão, retornando a R$ 22,8 bilhões, o mesmo da época da fusão, em setembro de 2009.

Segundo Ragazzo, com a operação haveria risco de aumentos nos preços dos produtos vendidos pelas duas empresas aos consumidores, como carnes, frangos, perus e outros. Todos os conselheiros fizeram elogios à conclusão, mas houve pedido de vista do conselheiro Ricardo Ruiz. "Eu não tenho dúvidas sobre a conclusão, mas são 500 páginas e vou pedir vista para ler o voto", disse Ruiz.

Com isso, a BRF terá mais uma semana para apresentar uma nova proposta ao Cade. Ou a Brasil Foods apresenta um plano aceitável, ou sua criação será reprovada. Essa proposta deve ser apresentada antes do dia 15, quando o julgamento será retomado.

O Valor apurou que a Brasil Foods está disposta a adaptar sua proposta no que for necessário, mas não fará nenhum acordo e pode ir à Justiça caso a operação seja reprovada. A empresa não teria tido a oportunidade de negociar a proposta inicial com o relator. Em nota, a BRF disse discordar da posição do relator e considerou o pedido de vistas positivo.

Ela se dispôs a vender marcas menores, a fornecer produtos para concorrentes e a dar acesso a canais de distribuição de seus produtos. Ragazzo julgou a proposta insuficiente. Ele advertiu que Sadia e Perdigão são as únicas classificadas como "premium" nos diversos setores em que atuam. "Elas são a primeira e segunda preferência dos consumidores. Um remédio que não inclua as marcas ‘premium’ seria insuficiente para evitar eventuais aumentos de preços", concluiu.