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Fundo traça, no Piauí, projeto de R$ 1,5 bilhão

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Ana Paula Paiva/Valor / Ana Paula Paiva/Valor
"A irrigação elevará a produtividade da cana, do tomate, e do cacau, o que reduzirá nosso custo", diz Christodoulou

Após anos avaliando o mercado de energia renovável do Brasil, o fundo de private equity Gordian Bioenergy decidiu que a melhor receita para maximizar ganhos e diluir riscos é aliar a produção de bioenergia à de alimentos. Assim, deu uma guinada no seu objetivo inicial e decidiu apostar R$ 1,5 bilhão em um projeto integrado – agrícola e industrial – para produzir açúcar, etanol, eletricidade, amêndoa de cacau e pasta de tomate. Entre 30% a 40% desses recursos virão de capital próprio e o restante, de financiamentos.

O endereço da empreitada é o oeste do Piauí, mais especificamente os municípios de Guadalupe, Floriano, Jerumenha e Marcos Parente. Áreas que somam 35 mil hectares foram adquiridas pela Terracal Alimentos e Bioenergia, empresa criada pelo fundo para desenvolver o projeto.

As áreas serão 100% irrigadas e nelas serão cultivadas 3 mil hectares de cacau, 27,36 mil hectares de cana-de-açúcar e 4,773 mil hectares de tomate, este último em consórcio com a cana – assim como em São Paulo se faz com o amendoim e a soja, compara o presidente do Gordian e idealizador do projeto, o investidor de origem grega, Diomedes Christodoulou.

A uma distância média de 12 quilômetros das áreas agrícolas da Terracal, será implantado o complexo industrial, com 350 hectares e três plantas de beneficiamento e armazéns. Uma delas, para moer 3,4 milhões de toneladas de cana por safra. A outra, para processar 525 mil toneladas de tomate por ano. E a terceira, para beneficiar cacau e produzir 10,5 mil toneladas de amêndoa anuais.

Christodoulou conta que morou por 16 anos no Brasil, onde atuou, como consultor e executivo de empresas da área de energia (foi CEO da Enron na América do Sul). Fundou há seis anos o Gordian Bioenergy que, atualmente, segundo ele, gerencia uma carteira de R$ 500 milhões captados com investidores vindos de fundos de pensão. Participou de inúmeras negociações, entre elas para compra de usinas de etanol, mas percebeu que a melhor alternativa era construir o próprio projeto.

"Contratamos consultorias para estudar a viabilidade econômica – e agronômica – de diversos produtos agrícolas. Decidimos por cana, cacau e tomate por serem itens de elevado valor agregado. Além disso, neles o Brasil é competitivo", explica o presidente do fundo.

Para presidir a Terracal, ele trouxe o executivo Ricardo Moura, que dirigiu usinas sucroalcooleiras de Goiás e do Nordeste, entre elas as do grupo João Lyra, de Maceió.

Até o fim de 2013, a Terracal quer encerrar a fase de desenvolvimento do projeto, inclusive com contratos de venda de energia elétrica, para buscar linhas de crédito de longo prazo para o projeto. Neste momento, nas áreas piauienses, está sendo feita seleção de variedades de cana, tomate e cacau. O cronograma da empresa é iniciar o plantio em escala comercial no fim de 2013 e o projeto industrial, em 2014. "Estimamos começar a operação entre o fim de 2016 e o início de 2017".

O etanol (anidro e hidratado) terá como foco o mercado do Piauí e das regiões Norte e Nordeste. "Somente o Piauí importa dois terços do etanol que consome". A venda do açúcar (bruto e cristal) será uma combinação de mercado interno e externo. Por conta da proximidade entre as áreas agrícola e industrial, a Terracal conseguirá, segundo previsto no projeto, usar a palha da cana, além do bagaço, para produzir eletricidade.

Em torno de 35% da energia vai abastecer todo o complexo industrial e o restante, será vendido. "A palha vai representar até um terço da energia cogerada", calcula. Ele acrescenta que, ao todo, serão produzidos 1,091 mil gigawatts hora/ano, o equivalente à metade da energia usada no Piauí em 2010.

A amêndoa de cacau atenderá a demanda das indústrias da Bahia, que precisam importar parte da matéria-prima que usam. A pasta de tomate terá como alvo o mercado externo, hoje dominado pelas exportações da Itália e da China. "O custo chinês está subindo. Temos condição de ser competitivos com esse projeto", avalia. O plantio e a colheita de tomate e cana serão mecanizados. A colheita de cacau, manual.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo