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Fundo americano Arlon compra 20% da Betânia

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Pouco menos de um mês após o anúncio da entrada da suíça Emmi no setor de lácteos brasileiro, outro negócio nessa área envolvendo capital estrangeiro acaba de ser fechado no país. O fundo de investimentos americano Arlon Latin America Partners comprou 20% de participação na CBL Alimentos, dona da marca Betânia, que tem sede em Fortaleza (CE), por valor não revelado.

Fontes do setor de lácteos estimam que o negócio, que ainda tem de ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), tenha sido fechado por entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões.

O Arlon é um gestor de fundos de private equity, que tem como foco o investimento principalmente em empresas ligadas aos setores de agronegócio e alimentício. No Brasil, o fundo já tem participação na Sotran SA Logística e Transporte, e na Grano Alimentos S.A, que faz legumes em conserva. A CBL Alimentos, que faturou R$ 678,093 milhões em 2016, é o terceiro negócio do fundo no país.

Fundada há 46 anos em Quixeramobim (CE), a CBL Alimentos (mais conhecida como Betânia) tem forte atuação no mercado do Nordeste. Produz e comercializa leite pasteurizado, leite longa vida, bebidas lácteas, iogurtes, queijos, requeijão, doce de leite, leite em pó, creme de leite e leite condensado e atua com cinco marcas: Betânia, Lebom, Jaguaribe, Cilpe e Latimilk.

Hoje, a empresa tem cinco unidades industriais localizadas no Ceará, Pernambuco, Paraíba e Sergipe e oito centros de distribuição de produtos. Tem 1.800 empregados e adquire leite de 3.500 produtores na região Nordeste do país, segundo informações do site da companhia.

A CBL foi adquirida em 1975 por Luiz Girão e hoje tem como sócios Vitor Bruno Machado Girão, Stella Machado Girão, Jorge Parente Frota Júnior, David Machado Girão e Antônio Arinilo Macena Maia. Conforme apurou o Valor, uma das razões para a venda da participação foi uma reestruturação societária na companhia, uma vez que um sócio está deixando a CBL Alimentos.

O Arlon foi fundado em 2007 pela Continental Grain Company, uma empresa familiar, com tradição em negócios ligados ao setor agrícola. Sediado em Nova York, tem aproximadamente US$ 1 bilhão em ativos sob sua gestão, também segundo informações que constam de seu site.

Procurada, a CBL Alimentos não se manifestou. O Arlon também preferiu não comentar.

A entrada do Arlon no capital da CBL Alimentos é mais uma operação que reforça o crescente interesse do capital estrangeiro no setor de lácteos brasileiro. O movimento mais significativo ocorreu em 2014 quando a francesa Lactalis – que já tinha comprado a Balkis, de queijos, um ano antes – adquiriu as operações de lácteos da BRF e unidades da LBR- Lácteos Brasil. No fim de 2015, a Coca-Cola comprou a mineira Verde Campo.

Em abril passado foi a vez da suíça Emmi concretizar uma transação no Brasil. A companhia suíça, que já vende seus queijos no mercado brasileiro, comprou participação de 40% no mineiro Laticínios Porto Alegre. A Emmi tentava havia anos entrar no Brasil. No fim de 2015 chegou a negociar a aquisição do paulista Laticínios Shefa, mas a transação não vingou. Conforme apurou o Valor, a Emmi também negociou, sem sucesso, com a catarinense Tirol, em 2014.

E o movimento no setor de lácteos não deve parar por aí. A J&F, holding que controla a Vigor, vem tentando vender a empresa de lácteos desde o fim do ano passado, movimento que deve se intensificar após a divulgação da delação premiada de Joesley e Wesley Batista e executivos da holding, sobre supostos casos de corrupção envolvendo deputados, agentes do governo e o próprio presidente da República Michel Temer.

No primeiro trimestre do ano, a multinacional americana PepsiCo chegou a fazer uma proposta de R$ 6 bilhões pela Vigor, mas as negociações entraram em banho-maria porque a J&F queria receber mais pela operação. A PepsiCo tem interesse no negócio de lácteos pois, assim como a Coca-Cola, busca depender menos do segmento de refrigerantes.

Além da PepsiCo, apurou o Valor, a J&F também tem mantido conversas para uma eventual venda da Vigor com a francesa Lactalis e com a mexicana Lala – a última tenta há anos entrar no Brasil.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor