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Fumicultores iniciam as negociações de reajuste

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Encontros ocorrem com cada uma das principais empresas do setor

Guilherme Daroit

MARCELO G. RIBEIRO/JC

Produção de tabaco deve sofrer redução em relação à safra passada

Produção de tabaco deve sofrer redução em relação à safra passada

Ainda sem chegar a definições, começou ontem a negociação do índice de reajuste no preço do tabaco a ser pago pela indústria fumageira aos produtores de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. As reuniões, realizadas em Santa Cruz do Sul de forma individual com cada uma das cinco principais empresas do setor, são lideradas pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e pelas Federações dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag, Fetaesc e Fetaep, respectivamente) e da Agricultura (Farsul, Faesc e Faep, respectivamente) dos três estados.
No primeiro dia de negociação, foram discutidos os índices de reajuste com a Souza Cruz e com a Japan Tobacco International (JTI). Ainda que as entidades tenham pedido para as empresas que apresentassem as suas propostas de percentual de reajuste nos encontros, isso não teria acontecido, de acordo com o presidente da Afubra, Benício Albano Werner.
“Este ano, temos novo governo, e, além disso, como exportamos 88% da produção, as empresas têm um cuidado muito grande nesse sentido, porque você pode ganhar ou perder muito com a exportação por causa do câmbio”, comenta Werner, citando as justificativas dadas pelas fumageiras para não apresentarem índices.  A safra atual, aliás, deve sofrer redução em relação as 731 mil toneladas produzidas nos três estados no último ciclo, seguindo a projeção da Afubra de diminuição entre 6 e 7% em termos de área cultivada.
Apesar disso, há a expectativa de que, pelo menos em relação à Souza Cruz, seja obtido um acordo ainda hoje pela manhã. “Tivemos uma reunião muito satisfatória e há grande chance de fechar com a Souza Cruz, que está repensando a proposta, ainda amanhã (hoje)”, afirmou o vice-presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva. Os índices da proposta, porém, não foram revelados, sob a justificativa de não atrapalhar as negociações com as outras empresas, que seguem hoje, quando serão recebidas Phillip Morris, Alliance One e Universal.
Caso não bata o martelo em relação aos percentuais com todas as empresas, uma nova rodada de negociações será marcada. “Nossa intenção é de fazer ainda neste mês, mas pode entrar janeiro novamente”, disse Werner, aludindo à última negociação, iniciada no fim de 2013, que se estendeu até fevereiro deste ano sem chegar a um consenso. Na época, a representação propôs inicialmente 11,7% e chegou até os 10%, mas o valor ofertado ficou em torno dos 6% na maioria das empresas.
A falta de definição do aumento no preço do tabaco ao produtor não impossibilita que as empresas deem início ao calendário de recebimento. Nesse caso, elas pagam o valor da tabela da safra passada, quando chega-se a um consenso, fazem complementação de nota fiscal sobre o total adquirido do produto. Os reajustes negociados pelas grandes empresas servem, também, de baliza para os aumentos que serão praticados pelas demais fumageiras que não participam das negociações.

Produtores rurais de São Paulo são os mais competitivos do País

Os produtores rurais de São Paulo são os mais competitivos do País, segundo estudo divulgado ontem pelo Instituto CNA. O ranking foi formulado a partir da análise de seis variáveis: infraestrutura para o transporte dos produtos, nível de educação do trabalhador rural, qualidade dos serviços de saúde, ambiente macroeconômico, grau de inovação e disponibilidade de mão de obra no estado. Para a criação dos indicadores, foram utilizados dados de 2011.
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal vieram em segundo lugar. “O indicador de cada um desses estados está muito próximo, por isso, não é possível precisar quem está melhor”, afirmou Marcelo Ávila, assessor técnico do Instituto CNA. No terceiro bloco, ficaram Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Rio de Janeiro.
Apesar de ser o estado com o maior índice de produtividade por trabalhador, o Mato Grosso ficou no quarto bloco do ranking. “Foi uma surpresa. É o estado onde o trabalhador rural mais produz, mas quando ele vai escoar, esbarra em gargalos que, por exemplo, não existem em São Paulo”, diz Ávila.

Segundo o assessor, a infraestrutura é justamente o que explica a posição de destaque de São Paulo. O estado foi o primeiro colocado na qualidade das rodovias e na movimentação portuária e perdeu apenas para o Rio de Janeiro em densidade ferroviária.

Fonte: Jornal do Comércio |