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Frio recente beneficia produção de maçã

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Se a entrada de massas de ar polar no Centro-Sul do Brasil tem causado preocupação para os produtores de café e cana, no caso dos pomicultores as baixas temperaturas dos últimos dias são positivas para a safra que será colhida em fevereiro do ano que vem. Mas mesmo assim a produtividade deverá cair, já que o nível do ciclo 2016/17 foi bastante elevado. O IBGE estima o volume de maçã deste ano em 1,2 milhão de toneladas, 17,6% mais que em 2015/16, apesar da queda de 1,6% da área plantada, que foi de 33,4 mil hectares.

A safra 2017/18 está atualmente no período de dormência, quando os pomares reservam energia para a floração na primavera. Nessa fase, os pés de maçã dependem de 300 a 500 horas de temperaturas abaixo de 7º C para que o desenvolvimento das flores aconteça de forma satisfatória. De acordo com levantamento do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Cataria (Ciram-Epagri), as unidades de frio (UF) acumuladas de 1º de abril até 30 de junho foram inferiores à média histórica, o que tornou a chegada das massas de ar frio não só desejáveis, mas necessárias. "O frio é bom porque é um dos sinais de uma safra boa. Isso não significa altos volumes, mas qualidade", explica Arival Pioli, diretor da Fisher Fraiburgo Agrícola, empresa que lidera o segmento no país.

Com as massas de ar do último mês, Pierre Nicolas Pères, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), avalia que a safra 2017/18 já pode ser classificada como de inverno dentro da média. "Não é a média alta, mas a media normal. Vamos ter muito mais frentes frias chegando e a soma de tudo isso vai levar a um inverno melhor, de bom pra médio", diz. E ressalta que "ruim não vai ser", já que as horas frias acumuladas já devem satisfazer as necessidades dos pomares.

Segundo Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima, o país deve enfrentar outras quatro ondas de frio intenso até o fim de agosto devido às condições de neutralidade do oceano Pacífico, sem formação de El Niño ou La Niña. Esses fenômenos interferem na capacidade de penetração dessas massas de ar, tornando o inverno menos ou mais intenso, respectivamente.

A próxima massa de ar frio deverá atingir o Sul esta semana, seguida de outra entre o fim de julho e o início de agosto, de acordo com Santos. Ainda assim, ele realça que as horas de frio para a fruticultura em geral deverão ficar dentro da média, dado que essas ondas de baixas temperaturas terão curta duração. "Climaticamente, vai ser um inverno ideal".

Em relação ao volume a ser colhido em 2017/18, o presidente da ABPM destaca que não é possível fazer estimativas até a florada dos pomares, na primavera. Mas Pères diz que as ondas de frio devem reduzir o impacto da forte produção deste ano. "O fato de estar fazendo frio ajuda a planta a se recuperar da grande produção deste ano, reduzindo o risco de uma queda grande". José Luiz Petri, pesquisador da Epagri, vai além. "Não será uma safra excepcional como do ano passado, mas com as técnicas de cultivo disponíveis é possível conseguir uma produtividade dentro do esperado", destaca.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor