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Frigol espera elevar abates em 40% e ampliar receita para R$ 1,4 bi este ano

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Silvia Zamboni/Valor

Luciano Pascon, presidente do Frigol, diz que estudos indicam que oferta de bovinos deve crescer até o ano de 2020

Depois de três anos de restrição na oferta de boi gordo no Brasil, o ciclo da pecuária se inverteu e tem tudo para beneficiar os frigoríficos nos próximos três anos. Ancorado nessa avaliação, o Frigol, um das cinco maiores produtores de carne bovina do país, vislumbra ampliar os abates em quase 40% já em 2017.

O presidente do Frigol, Luciano Pascon, projetou que até dezembro as três unidades da empresa estarão abatendo 48 mil bovinos por mês, 37% acima das 35 mil cabeças abatidas mensalmente no começo do ano. "Estamos começando a virar o ciclo. Nossos estudos apontam que a oferta vai se intensificar em 2018 e vai até 2020", disse ao Valor.

Para atender a expansão dos abates, o Frigol contratará cerca de 100 pessoas neste ano, sobretudo para os dois frigoríficos do Pará, nos municípios de Água Azul do Norte e São Félix do Xingu. O Frigol também tem um abatedouro de bovinos e outro de suínos em Lençóis Paulista (SP), sede da empresa.

O crescimento dos abates ao longo do ano deve impulsionar as vendas do Frigol, que saiu da recuperação judicial há dois anos. A projeção de Pascon é que a receita líquida aumente 15% em 2017, somando R$ 1,4 bilhão. No primeiro semestre, a receita líquida cresceu 8,6%, para R$ 652 milhões.

O ritmo mais acelerado do segundo semestre marca uma reversão do cenário em comparação ao caos vivenciado em meados do primeiro semestre, depois de a Polícia Federal deflagrar, em 17 de março, a Operação Carne Fraca. Daquele momento até abril, os principais frigoríficos do país reduziram a produção de carne bovina.

"O mês de abril foi o pior para todo mundo", afirmou Pascon. Devido aos diversos embargos internacionais provocados pela Carne Fraca – a maior parte dessas barreira já foi retirada – os frigoríficos brasileiros colocaram o pé no freio.

Com isso, os abates em frigoríficos do país com selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) caíram 25%, recuando de 2 milhões de cabeças para perto de cerca 1,5 milhão, disse o executivo. No Frigol, que obtém 20% das vendas na exportação, a redução foi de 20%, e os abates somaram 28 mil cabeças em abril, ante 35 mil bois em março.

A brusca retração das exportações de carne a partir da segunda metade de março elevou os estoques, derrubando o lucro líquido do Frigol no primeiro trimestre. Entre janeiro e março, a empresa lucrou R$ 1,3 milhão, queda de 87,7% ante o mesmo intervalo de 2016.

No segundo trimestre, o Frigol se recuperou, a despeito da produção menor de abril. A forte retração dos abates da JBS, maior indústria de carne bovina do país, após a delação premiada dos irmãos Batista, abriu espaço aos concorrentes, disse Pascon.

Nesse cenário, o lucro líquido do Frigol cresceu mais de dez vezes no segundo trimestre, alcançando R$ 8,8 milhões. Ainda assim, o lucro do Frigol no semestre diminuiu 11,5%, somando R$ 10,1 milhões.

Pascon admitiu que os reflexos positivos da menor produção da JBS se concentraram no segundo trimestre. Desde julho, os abates da JBS caminham para a normalidade. Neste terceiro trimestre, a normalização dos abates da JBS somada à menor oferta de boi engordado sob confinamento devem significar margens menores para os frigoríficos. Segundo Pascon, o primeiro "giro" de confinamento – os animais levam, em média, três meses para serem engordados no confinamento – foi afetado pela desvalorização do preço do boi gordo após a Carne Fraca.

Em abril, quando os pecuaristas decidiriam enviar os primeiros animais para o confinamento, o preço não era vantajoso. Por isso, a oferta agora em agosto é menor. No entanto, isso deve se reverter ao longo dos próximos meses, disse. O preço do boi gordo se recuperou, o que pode estimular o segundo "giro" de confinamento, ampliando a oferta de gado confinado a partir de setembro.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor