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Frente fria pode prejudicar milho, cana, café e trigo

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Estado do Paraná deve sofrem mais com baixas temperaturas; em São Paulo, frio deve afetar cultura do tomate

por Globo Rural On-line

Félix Zucco/Agência RBS/Agência OGlobo

Com o termômetro marcando 0,5º negativos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o município de São José dos Ausentes teve neve na madrugada desta segunda-feira. Foto: Félix Zucco / Agência RBS / Agência O Globo

Enquanto turistas se divertem com bonecos de neve, agropecuaristas da região Sul do país se preocupam com as baixas temperaturas e com o impacto nas produções. A chegada de uma massa de ar de forte intensidade nos últimos dias já está afetando as pastagens e plantações de grãos e de hortaliças.
A madrugada mais fria desta semana deve ser na quarta-feira, quando o frio extremo também atinge São Paulo e Mato Grosso do Sul. Haverá geada generalizada no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, sul de São Paulo e sul de Mato Grosso do Sul. Até agora, a neve já atingiu quatro cidades gaúchas: São José dos Ausentes, na serra, Cambará do Sul, Lagoa Vermelha e Bom Jesus.
O estado do Paraná será o mais atingido pelas baixas temperaturas, segundo Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Somar Meteorologia. “O Estado tem diversas plantações, que estão em diferentes estágios de desenvolvimento. Por isso, será o mais prejudicado.”
Confira a previsão para cada Estado e o impacto do clima nas plantações:
Rio Grande do Sul e Santa Catarina
As pastagens para o gado serão as mais prejudicadas. Haverá danos pequenos nas plantações de trigo. Como a cultura ainda está em fase de desenvolvimento, apenas temperaturas abaixo de -3°C podem causar maiores danos, o que não irá ocorrer. Também haverá perdas nas culturas frutíferas a leste de RS.
Paraná
O agrometeorologista da Somar afirma que os maiores danos estão previstos para a região oeste do Estado. Algumas lavouras já passaram pelo estresse das chuvas de junho, o que pode prejudicá-las ainda mais.
O cultivo de milho ainda está na fase de maturação ou de enchimento de grãos. Por isso, os danos não serão tão severos e não irão quebrar a produção.
As plantações de trigo, no entanto, já estão mais avançadas. O plantio ocorreu entre abril e maio e os grãos, em fase de florescimento e de enchimento, serão mais afetados pelas temperaturas.
Outra área bastante prejudicada do Paraná é o cinturão verde ao redor de Curitiba, produtor de hortaliças para a capital. Como há previsão para neve na região, o dano a essas culturas será grande.
A produção de café também pode sofrer com o frio e as geadas, na área compreendida por Xambrê, Umuarama, Altônia, Iporã, Mariluz, Alto Piquiri, Jesuítas e municípios vizinhos.
Segundo Angela Beatriz Costa, meteorologista do Instituto Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná), o maior perigo é para os pés de café novos, de seis meses a dois anos. Com temperaturas muito baixas, pode ocorrer a chamada geada de canela, na qual o tronco é queimado, matando também a planta. Para impedir isso, deve-se cobrir o tronco com terra ou enterrar as plantas novas por algumas horas durante as madrugadas.
Marco Antônio sugere também usar o efeito da fumaça para manter as culturas aquecidas, queimando serragem.
São Paulo
A massa de ar fria chegará com maior impacto no extremo sul do Estado, na divisa com Paraná, principalmente nas cidades de Assis, Ourinho, Avaré e Presidente Prudente, regiões produtoras de milho, café e cana, que serão afetados pelo frio.
A produção de tomate em Itapeva também será prejudicada. “Abaixo de 5°C, o dano para o tomate é muito grande. Pode faltar no mercado e voltar a ser o vilão da inflação”, afirma Marco Antônio.
Mato Grosso do Sul
A frente fria já chega mais branda. A única plantação afetada será a de cana-de-açúcar. A produção de milho já está mais adiantada e, mesmo que ocorra geada, não haverá danos para a safra. 

Fonte: Globo Rural