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Forte alta no lucro da São Martinho

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Ana Paula Paiva/Valor

Fabio Venturelli, presidente da São Martinho: "Boa estratégia de precificação"

A precificação antecipada das vendas de açúcar e o foco na comercialização de energia elétrica em um momento de alta do valor dos megawatts-hora no país turbinaram os resultados do grupo São Martinho no primeiro trimestre da temporada 2017/18. A companhia encerrou o período com lucro líquido de R$ 116,9 milhões, quase três vezes maior que o resultado do mesmo período da safra passada, de acordo com balanço divulgado ontem.

"Conseguimos precificar uma estratégia boa. Movimentamos açúcar e também energia em preços bons", disse Fabio Venturelli, presidente do grupo. Ao longo do trimestre, a empresa avançou na fixação dos preços do açúcar a ser vendido, que passou de um equivalente a 68% da commodity a ser produzida a partir da cana cultivada em suas próprias lavouras, em 31 de março, para 77% em 30 de junho.

Considerando o volume de açúcar vendido no último trimestre (372 mil toneladas) e a quantidade já precificada, mas que ainda não havia sido entregue (502,6 mil toneladas), o grupo tem cerca de 150 mil toneladas do produto a ser negociado nos níveis atuais de preço. No primeiro trimestre do exercício, o valor médio pelo qual a São Martinho vendeu seu açúcar foi de R$ 1.485,60 a tonelada, alta de 26,2% em relação a igual intervalo do ciclo. passado.

De uma receita líquida total no trimestre de R$ 867,9 milhões – incremento de 22,3% – as vendas de açúcar alcançaram R$ 552,7 milhões, em alta de 42,7%. Já o segmento de cogeração de energia gerou R$ 66,2 milhões, aumento de 51,5% na comparação. Além dos preços maiores no mercado livre, onde a São Martinho vende 20% de sua energia cogerada, essa frente de negócio também foi favorecida pela incorporação total da Usina Boa Vista, antes dividida com a Petrobras .

O tempo firme no período ajudou a São Martinho a acelerar a moagem de cana, recuperando o atraso do início da safra 2017/18, e levou a uma maior concentração de sacarose nas plantas, o que também favoreceu uma produção mais "açucareira" até o momento, segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro da companhia.

Mas a empresa pisou no freio no segmento de etanol e está tentando estocar o produto para vender na segunda metade da safra. A receita com vendas de etanol hidratado caiu 26,4%, para R$ 50,4 milhões, mas a São Martinho detinha no fim do trimestre estoques 53% maiores do que no mesmo período da safra passada, ou 116 milhões de litros.

De acordo com Fabio Venturelli, o controle dos custos e a maior eficiência operacional contribuíram para um lucro antes de impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 475,3 milhões, aumento de 42,4%. A margem Ebitda cresceu, assim, 7,7 pontos percentuais, para 54,8%.

Esse resultado permitiu manter o índice de alavancagem (dívida líquida sobre Ebitda) no nível planejado (1,52 vez), o que permitirá à companhia distribuir ganhos aos acionistas e continuar investindo em tecnologia nas lavouras e em redução de custos, segundo o executivo. O lucro caixa, que se refere aos ganhos aos acionistas, somou R$ 230,2 milhões, alta de 125,5%.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor