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Florestas plantadas são alternativa de diversificação de negócios para produtores de Mato Grosso

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Entre outras variedades, seringueiras oferecem renda extra

Diego Vara

Foto: Diego Vara

Seringueira garante renda extra para produtores

Terra do boi gordo, da soja, do algodão e do milho, Mato Grosso também quer se transformar no celeiro das florestas plantadas. A atividade é vista como uma excelente alternativa para a diversificação de atividades nas propriedades rurais.

Na fazenda de Moacyr Piotto, em Jaciara, na região sudeste do Estado, 20 hectares dos mais de três mil da propriedade são dedicados ao plantio de seringueiras. O restante é ocupado com a produção de grãos e com a pecuária.

Cerca de 12 mil seringueiras garantem a produção mensal de oito toneladas de "cernambi virgem prensado", o CVP, resultado da mistura entre o látex extraído da árvore e um ácido reagente. Cada quilo do produto é comercializado a R$ 2,70. O total garante 10% da receita da fazenda.

As vantagens da seringueira estão no ciclo: há produção o ano todo, com apenas dois meses de repouso, entre julho e setembro. O tempo de vida útil da árvore é de até 35 anos. Depois, o produtor ainda pode aproveitar a madeira.

Além da seringueira, os plantios de teca, eucalipto e pinus também se destacam. No entanto, mesmo juntas, as áreas ocupadas por florestas plantadas no Estado ainda são consideradas pequenas pelas lideranças do setor. A estimativa é de que sejam aproximadamente 200 mil hectares, o que equivale e apenas 3% do espaço destinado à atividade em todo o Brasil.

– Seis por cento das pastagens de Mato Grosso são consideradas de baixa qualidade. De mais de 200 mil quilômetros quadrados. Ou seja: qual a extensão que você tem que já permite expansão de florestas plantadas? Você não precisa entrar em áreas de uso nobre, como agricultura e pastagem para expandir floresta – diz o chefe do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Amazônia, Cláudio Almeida.

O que falta, segundo o presidente da Associação de Reflorestadores do Estado, é mais incentivo ao produtor.

– Hoje não existe uma política para o setor de floresta plantada, viemos sensibilizando para que se crie um plano – conta Fausto Takizawa.

O potencial da atividade em Mato Grosso é reconhecido pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Segundo o titular da pasta, Vicente Falcão, em um curto prazo, pelo menos três milhões de hectares devem ser ocupados por florestas plantadas. Quanto ao apoio ao setor, ainda falta definir uma política específica.

Fonte: Ruralbr Luiz Patroni | Jaciara (MT)