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Fiscais ameaçam fazer novas mobilizações no país

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O vice-presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Agropecuários (Anffa Sindical), Marcos Lessa, disse que novas operações padrão da categoria devem ocorrer nas próximas semanas após a mobilização de ontem. A categoria entrou em "estado de mobilização" por 24 horas na segunda-feira, quando fiscais foram orientados a não inspecionar as cargas para a exportação e a não fazer a fiscalização de frigoríficos.

Ele avaliou como "positiva" a adesão da categoria à mobilização, que comprometeu exportações e importações de produtos agropecuários. Segundo Lessa, houve grande participação de fiscais da região Sul, mas a operação padrão ocorreu em quase todos os Estados. "Não tem gente para trabalhar, faltam fiscais no país. Então nossa mobilização não é de curto prazo, esperamos aumentar nas próximas semanas", disse.

Serviços como a emissão de certificados de exportação em portos, aeroportos e regiões de fronteira, além de laudos de análise em laboratórios do Ministério da Agricultura (Lanagro) foram afetados.

Lessa disse ainda que se o ministério contratar médicos veterinários temporários para a inspeção animal, o Anffa poderá entrar na Justiça para garantir que apenas os fiscais federais possam exercer atividades de fiscalização e inspeção agropecuárias no país, conforme a legislação brasileira. A contratação de 350 veterinários terceirizados foi anunciada recentemente pelo Ministério da Agricultura, como forma de responder às críticas da União Europeia ao sistema de inspeção sanitária do Brasil.

Além de se opor à contratação temporária de veterinários para complementar a fiscalização, o Anffa pede concurso público imediato para 1,6 mil fiscais. Procurado, o Ministério da Agricultura não quis se pronunciar.

Ontem à tarde, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou "que, até o momento, não foram relatados atrasos significativos nos processos produtivos e de embarques de produtos da avicultura e da suinocultura do Brasil". (Colaborou Luiz Henrique Mendes)

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor