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Fila de caminhões com soja na BR-163 diminui

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Ruy Baron/Valor

O congestionamento no trecho de cerca de 100 quilômetros não asfaltado da BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), continua, mas a fila de caminhões, que já chegou a 4 mil – grande parte deles carregados com soja – caiu pela metade. Segundo o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, a pista no sentido sul, em direção a Cuiabá, foi liberada. Caso as condições climáticas permitam, a liberação da pista no sentido Santarém deverá acontecer até sexta-feira.

Segundo Gilson Baitaca, um dos líderes dos caminhoneiros de Mato Grosso, um avião do exército pousou ontem em Itaituba (PA) com cestas básicas para os motoristas que estão parados na rodovia, muitos deles já há mais de 15 dias. Baitaca também relata que uma empresa de Rondonópolis (MT), a Pedromar, voluntariamente jogou pedras na pista para aplainar os buracos mais profundos. "Um posto de combustíveis também doou diesel para os caminhoneiros", afirmou.

O transporte de soja pela BR-163 está bastante prejudicado há pelo menos duas semanas devido ao excesso de chuvas, que gerou acúmulo de lama e permitiu a abertura de buracos no trecho da rodovia que não está asfaltado.

O problema será discutido hoje, em Brasília, pelo ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, com um grupo de tradings (Amaggi, ADM, Cargill, Bunge e Cofco). "O objetivo será definir uma estratégia logística que garanta a manutenção da trafegabilidade ao longo da rodovia durante o chamado inverno amazônico", afirmou comunicado divulgado pelo ministério.

Cálculo da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC) considerando 15 dias de problemas apontou que os prejuízos para as tradings estariam próximos a R$ 150 milhões, já que as perdas diárias são calculadas em R$ 10 milhões. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projetam prejuízos da ordem de US$ 400 mil por dia com custos com "demurrage".

Por Fernanda Pressinott | De São Paulo

Fonte : Valor