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Fetag define ação por milho

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Produtores pagaram pelo grão, mas espera por remoção do produto já chega a 90 dias

Mendes Ribeiro reconheceu problemas no transporte do grão<br /><b>Crédito: </b> marcelo Camargo / abre / cp

Mendes Ribeiro reconheceu problemas no transporte do grão
Crédito: marcelo Camargo / abre / cp

A Federação dos Agricultores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag/RS) pode acionar o Ministério Público Estadual para tentar garantir a entrega de milho subsidiado a agricultores atingidos pela seca. A espera varia entre 70 e 90 dias nas praças de Rondinha, Arroio do Tigre e Palmitinho, onde produtores pagaram ao governo federal e não receberam. A decisão sobre a ação depende de um levantamento a ser concluído hoje pela federação sobre a extensão do problema que, no mês passado, afetava pelo menos 515 produtores que desembolsaram R$ 206 mil.
Após a greve dos caminhoneiros e muita burocracia, o motivo para o atraso agora é a desistência da empresa contratada para o transporte. "A situação chegou a um ponto insustentável. Se o produtor não tivesse pago à Conab, poderia ter comprado milho no mercado, mesmo que mais caro", reclama o assessor de Política Agrícola da Fetag/RS, Airton Hochscheid.
Nesta quinta-feira, a Conab reapresentará o edital de frete para a região, com preço reajustado. Conforme Glauto Melo, superintendente regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab/RS), executora do programa, as transportadoras do Centro-Oeste têm priorizado o atendimento de trechos curtos, o que prejudica o fluxo de cargas para o Estado. "É um gargalo que estamos tentando equacionar", justifica Melo. Em outros seis polos que deveriam distribuir as sacas com preço especial de R$ 21,00, o atendimento está suspenso desde a quinzena passada também por demora na chegada do produto e não há previsão de normalização. São eles Santa Rosa, São Luiz Gonzaga, Marau, Passo Fundo, Cruz Alta e Estrela.
A Conab orienta que, para não perder a cota mensal de até 27 toneladas, o produtor busque milho onde há disponibilidade. Há 30 mil toneladas em Cachoeira do Sul, Garibaldi, Erechim, Júlio de Castilhos e Pelotas. Segundo a Conab, além dos problemas acima, o aumento dos produtores cadastrados no programa, de 3 mil para 20 mil, acrescido da demanda de suinocultores, extrapolou a expectativa. No Estado, a demanda superou 120 mil toneladas das 100 mil t autorizadas. Até agora, chegaram 80 mil t.
Ontem, a crise no escoamento de milho foi admitida pelo ministro Mendes Ribeiro Filho. "Estamos com uma ação com os governos estaduais, tentando fazer com que o problema de transporte deixe de existir o mais rápido possível", declarou após reunião ontem na Sociedade Rural Brasileira, em São Paulo. O ministro espera que, para próxima safra, o déficit de milho seja evitado com a busca de parcerias.

Fonte: Correio do Povo