FERMENTO NA INFLAÇÃO | Preço da farinha sobe 20% e pressiona pães e massas

Argentina deixa de exportar trigo, o que diminui ainda mais oferta da matéria-prima no Brasil

A decisão da Argentina de suspender as exportações de trigo como forma de combater a inflação deve tornar ainda mais árdua a luta brasileira para segurar os preços dos alimentos. Como reflexo da oferta menor do grão, as padarias gaúchas começaram a receber ontem remessas de farinha por um custo cerca de 20% superior ao cobrado até a semana passada.
A nova tabela, avisa Arildo Bennech Oliveira, presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria e de Massas Alimentícias e Biscoitos do Rio Grande do Sul (Sindipan), deve fazer o consumidor sentir ainda esta semana reajuste entre 10% e 20% nos produtos. A restrição aos embarques se soma a uma escassez que ocorre no Brasil devido à quebra na safra em toda a América do Sul no ano passado. A consequência já foi sentida no bolso.
Dados do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) da Capital mostram que, no intervalo entre junho de 2012 e maio deste ano, o pão de forma subiu 16,49% e o macarrão instantâneo, 22,03%. Bem acima da inflação de 6,22% do período. O popular pão francês, que até agora passou imune pela elevação, não deve escapar da alta, acredita Oliveira:
– O preço do quilo no Estado, que varia de R$ 5 a R$ 8, deve passar a ser de R$ 6 a R$ 9.
O empresário Severino Armelin, proprietário da Comercial Armelin, no bairro Menino Deus, na Capital, levou um susto ao receber ontem a encomenda semanal de farinha de trigo. O tipo utilizado para pão de ló, por exemplo, saltou de R$ 36 para R$ 42,50 a saca de 25 quilos, alta de 18%. A pré-mistura para pão francês passou de R$ 40 para R$ 46. Apesar da pressão dos custos, por enquanto Armelin pretende segurar os preços:
– Há três meses não repassamos os aumentos. Mas está ficando inviável.
A postura do empresário, que mantendo o preço do pãozinho acredita atrair fregueses que compram outras mercadorias, traz alívio para a aposentada Marli Todt, 66 anos, freguesa habitual que nota a estabilidade no valor em meio a dias de inflação alta.
– Compro todos os dias para a família. Quentinho, feito na hora – contava Marli, com uma sacola repleta de pãezinhos para o café da tarde.
caio.cigana@zerohora.com.br

CAIO CIGANA

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