.........

FEIRAS – Vendas aquecidas de máquinas aumentam expectativa para a Agrishow 2017

.........

Expectativa é que a comercialização de tratores e colheitadeiras no evento retome um volume de negócios superior a R$ 2 bilhões

agrishow-globo-rural-edicao-378-abril-2017 (Foto:  )(Foto: Divulgação)

O mercado de máquinas agrícolas mais aquecido do que no ano passado é o termômetro das expectativas de negócios para a Agrishow 2017. A feira será realizada entre os dias 1o e 5 de maio, em Ribeirão Preto (SP), com a promessa de ser, mais uma vez, uma das principais vitrines da tecnologia no campo.

Na edição do ano passado, realizada no final de abril, o clima era de incerteza e o discurso cauteloso. No primeiro trimestre de 2016, as vendas de máquinas haviam caído quase 44%, apontava a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as maiores montadoras do setor. Apesar das expectativas mais conservadores, a feira contabilizou negócios de R$ 1,95 bilhão, superando a edição de 2015 (R$ 1,9 bilhão).

Neste ano, as expectativas são mais otimistas, afirma João Carlos Marchesan, presidente do conselho administrativo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), uma das promotoras do evento. Ele espera que a Agrishow deste ano retome um volume de negócios superior a R$ 2 bilhões.

“Estamos em um ano virtuoso, colhendo uma supersafra. O agricultor está mais confiante e investindo novamente, a demanda não está ruim e o setor vai crescer neste ano. Os preços estão bons e, se melhorar o valor do dólar, ficará mais competitivo para o agricultor”, analisa João Carlos.

Os números do mercado de máquinas agrícolas, desta vez, dão razão para pensar positivo. Segundo a Anfavea, em fevereiro passado, as vendas aumentaram 16,2% em relação a janeiro. No comparativo com fevereiro de 2016, o crescimento foi de 33,5%. No primeiro bimestre, foram vendidos 49,9% a mais que nos dois primeiros meses de 2015 entre as montadoras representadas pela entidade.

agrishow-globo-rural-edicao-378-abril-2017 (Foto:  )(Foto: Ernesto de Souza/Ed.Globo)

A maior demanda refletiu na maior disponibilidade de crédito. O montante liberado por meio do Moderfrota já superou o previsto no Plano Safra para o atual ciclo agrícola. Entre julho de 2016 e fevereiro de 2017, as operações somaram R$ 5,18 bilhões para um montante programado de R$ 5,05 bilhões.

A situação já era esperada pelo governo. Tanto que o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, garantiu um reforço de R$ 2,5 bilhões para o programa. Promessa feita, aliás, em encontro com representantes da Abimaq, na sede da entidade, em São Paulo.

“Estamos contando com isso. A demanda do Moderfrota está maior que no ano passado. Não pode faltar recurso”, diz João Carlos.

Outro ingrediente de otimismo é a liberação antecipada de linhas de crédito de pré-custeio, destinada a financiar a compra de insumos para a safra 2017/2018. Só por meio do Banco do Brasil foram R$ 12 bilhões. Soma-se a isso a participação de bancos privados nesse tipo de operação, que deve ser uma alternativa a mais de negócio durante a feira.

Com visão otimista para o agronegócio, o Santander tende a repetir a estratégia adotada em eventos como a Agrishow e colocar crédito pré-aprovado à disposição dos visitantes. O banco espanhol não informou o previsto para a feira deste ano. No evento de 2015, a instituição antecipou R$ 850 milhões.

“O financiamento não pode se limitar apenas ao crédito rural subsidiado. Sempre teremos recursos, e a Agrishow é mais uma oportunidade para ficar mais próximo ao produtor rural”, garante o superintendente executivo de agronegócios do banco, Carlos Aguiar.

A Agrishow deve reunir cerca de 800 marcas, em uma área superior a 400.000 metros quadrados. Além das máquinas, quem passar pelos estandes deve ter contato com representantes de segmentos como agricultura de precisão, insumos, ferramentas, centros de pesquisa, veículos e serviços financeiros.

Na edição de 2016, os estandes receberam, nas contas da organização, 152 mil pessoas. É possível que esse número apenas se repita neste ano, o que não é necessariamente negativo, avalia o diretor da Agrishow, José Danghesi.

“Podemos ter número de visitantes semelhante, mas com interesse de compra maior”, diz. Para ele, o evento deste ano terá um ambiente “mais bem-humorado”, trazendo uma expectativa mais “agressiva” do ponto de vista dos negócios.

AGRISHOW
24ª FEIRA INTERNACIONAL DE TECNOLOGIA AGRÍCOLA EM AÇÃO

DATA: 1ª a 5 de maio de 2017
LOCAL: Ribeirão Preto (SP) – Brasil
PREÇO DO INGRESSO: R$ 20 (meia),  R$ 40 (inteira), R$ 35 (online)

Arena da tecnologia

Uma das novidades deste ano estará nos locais de demonstrações técnicas. É a chamada Arena de Demonstração do Campo Tecnologia e Sustentabilidade, uma área em torno de 5.000 metros quadrados onde será possível o público ter contato com a aplicação coordenada de soluções tecnológicas.

“O visitante vai ver a integração das tecnologias de toda a produção. A intenção é direcionar o agricultor para o melhor caminho no uso da tecnologia”, explica José Danghesi.

agrishow-globo-rural-edicao-378-abril-2017 (Foto:  )(Foto: Divulgação)

A arena estará sob responsabilidade da Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus). Entre as atrações, sistemas e equipamentos que visam tornar mais eficientes o monitoramento e o diagnóstico da lavoura, além da aplicação dos insumos. Situações de campo serão montadas para mostrar a tecnologia sendo usada.

“O produtor está entendendo que o caminho é este, o da tecnologia integrada. É preciso buscar as ferramentas tecnológicas e integrar com o que ele já tem no campo”, defende o diretor financeiro da Coopercitrus, Fernando Deggobi. “Estamos trabalhando um conceito de integração independentemente da marca dos equipamentos”, acrescenta.

Fernando antecipa um pouco do que será visto. Um veículo equipado com GPS fará um mapa georreferenciado de fertilidade do solo, mostrando a necessidade em cada local. A partir desses dados, será feita a distribuição do nutriente. “Vamos mostrar o ciclo completo: a amostragem, o resultado e a aplicação”, promete.

Um drone de pulverização, de fabricação chinesa, promete ser uma das vedetes do show, garante Fernando. O equipamento tem um tanque para 13 litros de defensivo e é programado para fazer aplicação direcionada: pulveriza só onde for necessário. Na Arena da Agrishow, é só para ver. Mas, se depois der vontade de ter um desses, custa mais de R$ 100 mil.

Matéria publicada originalmente na edição de abril de 2017 da revista Globo Rural.

Fonte : Globo Rural