FEIRA – Visitantes de todos os cantos aportam na Expodireto

Expodireto 2017 Não-Me-Toque visitantes de todos os cantos do Rio Grande do Sul

Expodireto 2017 em Não-Me-Toque atrai visitantes de todos os cantos do Rio Grande do Sul

Parece um exército, em marcha firme, que desembarca no parque da Cotrijal, em Não-Me-Toque. O movimento pela manhã desta quinta-feira (9), no quarto e penúltimo dia de Expodireto, não para, com excursões que estacionam e dezenas e centenas de pessoas no fluxo rumo ao grande portão de entrada. O Rio Grande do Sul domina como origem, das pequenas a grandes cidades. Mas tem os desgarrados do Paraná e outros estados. A organização projetou nesta quinta-feira que o público deve ficar entre 230 mil e 240 mil na edição.

“O clima tem ajudado. Temos negociado bem com o cara lá de cima (risos) e a previsão de chuva é só para esta sexta, mas já é fim de feira. Vai ser nota 10”, diz o presidente da Cotrijal, Nei César Mânica. O clima está bom para dar uma folga na lavoura, viajar quatro horas e passar o dia no parque. Foi o que Gilmar Dalabreda e o filho Junior, 17 anos, decidiram fazer.

A dupla é de Ajuricaba, perto de Ijuí. Junior vem desde os 10 anos ao evento e cursa técnico-agrícola. Ele quer seguir a atividade da família, com 30 hectares de lavoura, principal cultura a soja, com produtividade de 70 sacas, previsão deste ano. "É a principal feira do Estado. Não falho um ano", garante Dalabreda, que vê o aumento da colheita or hectare crescer ano a ano e associa com o que ele tem buscado na Expodireto. O foco é maquinário.

"É meio corrido, não conseguimos ver tudo", diz o pai de Junior. O jovem ajuda o pai na hora de entender tecnologias mais recentes. A família está precisando de uma semeadora, pois trator já foi comprado um novo nos anos recentes. "Aprendo muito com meu filho. E o potencial de produzir só aumenta", constata Dalabreda pai.

Nem só agricultor é atraído pela feira, que é basicamente de tecnologia. "Não tem bebida alcoólica e shows", como diz Mânica. "Abre às 8h e fecha às 18h." A família Lemes, que não vive da agricultura, decidiu tirar o dia para passear na Expodireto. Irani, a mulher Fatima e a filha Bruna deixaram a cidade de Carazinho, no começo da manhã – são 40 quilômetros até Não-Me-Toque -, e percorreram estandes. "O que a minha filha mais gostos foi das máquinas", diz Fatima. "Quero saber onde posso aprender a trabalhar com isso", disse a adolescente, ainda no Ensino Fundamental, mas que admite ter vontade de cursar Agronomia. Na feira, especialistas e muitos dirigentes de entidades falam que a juventude na região despertou novamente para fazer a formação na área, com turmas lotadas em faculdades. 

Sobre negócios, Mânica começa a revisar a projeção antes do evento de crescer 15% na receita com vendas frente a 2016, ano que somou R$ 1,5 bilhão, pior saldo em quatro anos. “Vai ser mais. As empresas estão passando que a comercialização está bem superior, bem mais que 2016. Deve chegar a 20%”, espera Mânica. “Está muito aquecido.” O primeiro burburinho de que a supersafra poderia rebaixar preços, o que afetaria o ânimo dos produtores, é descartado pelo presidente da Cotrijal. “A feira já se consolida como local onde os agricultores compram o maquinário.”

PATRICIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC

Patrícia Comunello

Fonte : Jornal do Comércio