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FEIRA – Agricultores festejam safra histórica conferindo atrações da Expodireto

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Expodireto 2017
Na foto: Nelson Neuls e Nair Neuls ( produtor Rural )

Casal Nelson e Nair Neuls dizem que a produtividade é feito de muito trabalho e tecnologias

Calor com alguma chuvinha para refrescar. Sob este clima e mais o anúncio de safra que será a maior da história, os agricultores lotam desde as primeiras horas da manhã o parque da Cotrijal, para conferir as atrações da Expodireto 2017. O casal Nair e Nelson Neuls foi para a feira e comemorou ao saber da supersafra de mais de 30 milhões de toneladas de grãos no verão, anunciada pela Emater-RS, com algumas receitinhas básicas. "Para chegar neste ponto, precisa plantio direto, análise de solo para ver o que falta na terra e ver o que precisa melhorar para chegar ao que chegamos", falou Neuls.

O agricultor mostrou in loco o que representa a safra, indicando plantas de soja que estão por toda parte no parque da Cotrijal. "A planta com bastante vagem, bem carregada, mostra boa produtividade", detalha Neuls. "É muita tecnologia", emenda a mulher, que garante participar das decisões da propriedade. "A gente participa muito. No interior, tem de participar. Nem que seja para lavar as roupas", brincou Nair.

Contentes com a supersafra, a agricultora resumiu singelamente o ânimo. "A gente colhe uma vez por ano, tem de colher bem para viver o resto do ano". Este ano eles foram à Expodireto para atualizar as novidades, não pretendem comprar máquinas, pois já adquiriram equipamentos em 2016. O agricultor está na soja desde os anos de 1970, quando colhia 35 a 40 sacos por hectare. A família está perto dos 70 sacos em 2017 e acha que pode alcançar 5% ao ano.        

Dirceu Gassen, agrônomo e consultor, diz que a colheita será maior em todas as lavouras. Gassen avalia que a safra pode superar 17 milhões de toneladas. Gassen cita que também já começam a pipocar reações de preocupação dos produtores que só a notícia de safra recorde possa rebaixar preços. "A redução de preços também é efeito do câmbio que estava em R$ 3,70 pelo dólar e agora está em R$ 3,10. A produtividade brasileira e até maior plantio de soja pelos norte-americanos podem influenciar. Ou seja, os preços são muito emocionais", avisa o consultor.

O que Gassen alerta é que é preciso achar uma forma de estruturar os negócios, até para lidar com preços mais baixos no futuro. "A previsão dos preços futuros é parecida com a do clima, tempo, tem muita probabilidade de erro." O que é certo, concorda, é maior colheita por hectare, que é efeito principalmente de muita assistência técnica. "O diferencial na lavoura não é variedade, não é trator e nem a colheitadeira, é o jeito com  que as pessoas tratam a tecnologia embarcada na semente", adverte Gassen. Houve aumento de mil quilos na produtividade por hectare desde 2006 (que era de pouco mais de 2 mil quilos) e Gassen avisa que precisa subir mais mil quilos até 2025, "para viabilizar os custos de produção".

MARCO QUINTANA/JC

Patricia Comunelo

Fonte : Jornal do Comércio