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Federarroz mobiliza produtor

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Fonte:  Jornal de Comércio | Luana Fuentefria

Tarso Genro vai encaminhar as demandas diretamente à presidente Dilma em encontro amanhã

MARCO QUINTANA/JC
Liderados por Renato Rocha (e) e Carlos Sperotto, os arrozeiros foram recebidos pelo governador.
Liderados por Renato Rocha (e) e Carlos Sperotto, os arrozeiros foram recebidos pelo governador.

A movimentação realizada durante todo o dia de ontem pelos produtores de arroz gaúchos capitaneada por cerca de 100 prefeitos de regiões arrozeiras resultou no acolhimento das reivindicações pelas autoridades do Estado. O governador Tarso Genro garantiu que vai levar a apreciação para o encontro com a presidente Dilma Rousseff durante encontro amanhã, em Brasília, na tentativa de retomar a agenda da orizicultura gaúcha. Tarso determinou que o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, se reúna com as entidades para elaborar as prioridades na pauta para que ela seja apresentada à presidente.
As reivindicações, sustentadas desde a abertura da safra em fevereiro deste ano, tem como medidas mais urgentes, conforme o presidente da Federarroz, Renato Rocha, o adiamento dos vencimentos dos financiamentos agrícolas para 31 de outubro, de forma a encontrar uma solução para o endividamento, além da a instituição de um prêmio direto ao produtor para equiparar o valor das sacas ao preço mínimo de mercado. Atualmente, a produção do Estado é comercializada a cerca de R$ 19,00 a saca de 50 quilos, enquanto ocusto de produção chega a R$ 25,80. Conforme os cálculos dos produtores, o prejuízo para cada safra chega a R$ 1,8 bilhão.
O governador reconheceu no encontro que as medidas tomadas até agora, desde as reivindicações apresentadas em janeiro ao governo federal, foram pequenas. "Reconhecemos que tivemos escasso resultado positivo", afirmou. O presidente da Federarroz comenta que as iniciativas contemplam poucos produtores, o que não incluem os pequenos e médios. "Esperamos que seja tomada pelo menos uma medida emergencial para essa safra, mas que alcance o valor mínimo ao produtor, sob pena de ele falir e sair do processo produtivo", aposta Rocha.
Os produtores também esperam, entre outros pontos, a compensação pelas assimetrias do Mercosul e a agilização do escoamento da doação das 500 mil toneladas aprovadas a fim de abrir espaço nos armazéns credenciados. Como apenas 10% dos arrozeiros possuem armazém credenciado, as medidas do governo do Estado anunciadas recentemente acabam se tornando inviáveis para a maior parte dos produtores. Segundo os agricultores, a governo precisa acionar entidades como o Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga) e a Emater para realizar a fiscalização nos armazéns, para atender a série de exigências da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Somente com esse credenciamento os orizicultores podem ter acesso à comercialização direta com o governo federal.
Além do governador, os prefeitos e representantes de entidades agrícolas do Rio Grande do Sul estiveram com a bancada gaúcha da Câmara Federal e com o presidente da Assembleia Legislativa, Adão Villaverde, que garantiu que tem mantido o gabinete da presidente Dilma Rousseff constantemente informado sobre o assunto.

Melhoria da gestão rural é destacada no Seminário Cooplantio

Marcelo Beledeli, de Gramado

A necessidade de melhor gestão no agronegócio foi o tema que dominou os debates do primeiro dia do 26º Seminário Cooplantio. O evento, que acontece até amanhã no Centro de Eventos do Hotel Serrano, em Gramado, é promovido pela Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto. Neste ano, possui 1.200 produtores das culturas de soja, arroz, milho e trigo do Brasil e dos países do Mercosul participam do encontro, um número recorde de inscrições.
No primeiro dia, o administrador de empresas Carlos Alberto Júlio, vice-presidente do Conselho de Administração da Tecnina e ex-presidente da Polaroid do Brasil, procurou apresentar conceitos e ferramentas práticas para uma melhor gestão dos negócios, especialmente para empreendedores rurais. Júlio destacou que, mesmo pequenos produtores devem procurar não misturar a administração de seus negócios com sua vida familiar. "Não adianta querer deixar sua granja para um filho ou genro se ele não tiver vocação para a atividade", afirmou.
Segundo o palestrante, os produtores precisam gerir suas propriedades familiares sem misturar as necessidades da família com os dos negócios, mantendo inclusive uma administração de caixas em separado. "Quem não consegue fazer essa separação não é bom gestor", sentenciou.Também lembrou a necessidade de valorizar os funcionários, buscando uma gestão mais participativa dos empreendimentos rurais. "Assim como tudo aquilo você quer saber sobre seu mercado é o cliente que pode dizer, tudo que você precisa entender sobre a administração que você faz pode vir das respostas dos colaboradores", disse.
Em contrapartida, o administrador lembrou que as oportunidades para que o número de empregos no interior tem crescido rapidamente. Esse processo, aliado com o acesso cada vez maior às novas tecnologias de comunicação, está pela primeira vez em décadas reduzindo a necessidade de os jovens migrarem para os grandes centros urbanos.
Durante a cerimônia de abertura, o presidente da Cooplantio, Daltro Benvenuti, destacou que um dos objetivos do evento é auxiliar o produtor na tomada de decisões. "Levamos conhecimento e informação. Por isto batemos recordes de produtividade a cada ano", afirmou.