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Fator ambiental mata mais crianças no Brasil

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Marcello Casal/Agência Brasil

O ambiente insalubre provoca mais mortes de crianças com menos de cinco anos de idade no Brasil do que em países próximos como Argentina e Chile, mostra um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Globalmente, mais de uma entre quatro mortes de crianças com menos de cinco anos são atribuídas a fatores ambientais. Cada ano, problemas causados pela poluição do ar, tabagismo passivo, água suja, falta de sanitários e higiene inadequada provocam a morte de 1,7 milhão de crianças.

No Brasil, as mortes de crianças atribuídas a fatores ambientais chegam a 41,38 entre 100 mil pessoas, segundo dados mais recentes (2012). Em comparação, a taxa é de 35,32 na Argentina e 20,05 no Chile. A taxa é menor em países como Colômbia (45,56) e Peru (48,45) e nos Brics: China (89,72), Índia (248,14) e África do Sul (124,33).

Segundo a OMS, a exposição nociva pode começar no útero da mãe e aumentar o risco de morte prematura. A entidade observa que grande parte das causas mais comuns de mortes de crianças entre um mês de idade e cinco anos – diarreia, malária e pneumonia – pode ser evitada com intervenções para reduzir riscos ambientais, como acesso a água segura e combustíveis fósseis mais limpos.

De 11 doenças com transmissão por vetores, listadas pela OMS, pelo menos 6 têm sido mais presentes no Brasil nos últimos tempos: febre amarela, dengue, zika, chikungunya, doença de Chagas e malária.

A entidade alerta para novos perigos ambientais, como o lixo eletrônico e elétrico, incluindo telefones celulares reciclados de maneira imprópria, expondo crianças a toxinas que podem causar redução da inteligência, déficit de atenção, estragos no pulmão e câncer. Estima que a geração desse tipo de lixo pode crescer 19% entre 2014 e 2018, para 50 milhões de toneladas no ano que vem.

A OMS destaca também que, com a mudança climática, as temperaturas e níveis de dióxido de carbono estão aumentando, elevando os índices de asma infantil.

Por Assis Moreira | De Genebra

Fonte : Valor