Farsul assume patrocínio de indicador do arroz

Manutenção do levantamento diário, que seria descontinuado, favorece transparência nas negociações setoriais
Dirigentes detalharam a parceria firmada com o Cepea da Esalq/USP
xO Sistema Farsul lançou, nesta quinta-feira, uma parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Esalq/USP, para a manter a divulgação do indicador arroz em casca. A série de dados do levantamento completou 10 anos no mês passado, mas provavelmente seria descontinuada se não houvesse a manifestação de interesse do segmento.

Considerado um dado importante para subsidiar decisões de preços tomadas por orizicultores, o indicador, que é publicado diariamente, apresenta os valores negociados pela saca de 50 kg do arroz tipo 1, fornecendo aos produtores o preço médio praticado pelo mercado. É para não perder esse parâmetro que a Farsul, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS), irá patrocinar o estudo.

O indicador foi lançado pela BM&FBovespa, responsável pelo custeio do estudo, que sempre foi conduzido pelo Cepea.

Posteriormente, a Bolsa Brasileira de Mercadoria (BBM) assumiu a despesa financeira para realização dos levantamentos, feitos nas cinco regiões produtoras de arroz no Rio Grande do Sul a partir de informações coletadas junto a produtores rurais, indústrias e intermediários. Mas, em maio deste ano, a BBM encerrou o contrato do serviço, o que fatalmente levaria o indicador a ser descontinuado.

Para o produtor rural que investe na cultura do cereal, a ausência dessa ferramenta de análise dificulta as transações de venda do produto. "Sem o indicador, ele não faria negociações transparentes", pontua o economista do Sistema Farsul, Antônio da Luz. Mais importante do que os dados é a credibilidade da informação, assinala o presidente da Farsul, Carlos Sperotto. "É uma pesquisa isenta e reconhecida nacionalmente. Os dados nos trazem confiabilidade", defende.

Durante coletiva de imprensa convocada para anunciar a parceria, Sperotto não comentou o valor que a Farsul está investindo para manter o levantamento diário, que agora passa a se chamar Indicador do arroz Esalq/Senar-RS. O dirigente revelou que, diante de outros produtos negociados na bolsa, o arroz não tem muita relevância pelo volume de transações. "Tem menos importância para eles, mas para nós é importantíssimo, porque é cultivado em área adequada para isso."

Um sonho dos orizicultores era conquistar o contrato de futuro para o arroz, objetivo que ficou mais distante com a sinalização dada pela BBM ao descontinuar o levantamento de preços. Em 2007, o setor tentou abrir o mercado a termo para o produto, e a divulgação do índice por parte da bolsa foi vista como um indicativo positivo. "A bolsa, quando criou o indicador, sinalizava que tinha no radar um dia ter um contrato de futuro para o arroz", argumenta o economista da Farsul.

O mercado a termo permitiria ao produtor travar o preço do arroz antecipadamente, como uma forma de proteção (hedge). "O produtor de soja e de milho tem essa possibilidade; o de arroz, não", lamenta Antônio da Luz, que vê mais distante essa possibilidade. "Quando se abandona o indicador, fica muito claro para nós que isso não vai vir tão cedo. E se nós abandonarmos o indicador também, aí mesmo que não vai acontecer nunca."

A parceria foi anunciada na presença do representante do Cepea, professor Lucílio Rogerio Aparecido Alves, e deve render mais apurações no futuro. Sperotto revelou a intenção de subsidiar a criação de um indicador para a cultura do trigo no Estado, com levantamento de dados feito também pelo Cepea-Esalq/USP.

Marina Schmidt

Fonte : Jornal do Comércio