Falta de chuvas em MT não desanima Vanguarda

Apesar das chuvas escassas em Mato Grosso, a Vanguarda Agro mantém a expectativa de um novo aumento de produtividade nesta safra 2015/16. A previsão da companhia, uma das principais produtoras de grãos e fibras do país, é atingir 55,4 sacas por hectare, ante 54,6 sacas em 2014/15. Já na Bahia, a expectativa é que as precipitações nos próximos 10 dias sustentem os rendimentos, mas a empresa já avalia a possibilidade de deixar o Estado.

"Tem havido falta de chuva em Mato Grosso, mas não podemos nos queixar. Estamos otimistas e esperamos superar 55 sacas por hectare, um recorde [para a empresa]", disse Arlindo Moura, CEO da Vanguarda, em encontro com investidores na tarde de ontem.

A Vanguarda finalizou o plantio em suas sete fazendas de Mato Grosso e deve concluir na Bahia esta semana. A empresa reduziu em 19% sua área em 2015/16, a 200,6 mil hectares, devido à devolução de arrendamentos nos dois Estados e no Piauí – onde já não opera mais.

"No fim desta safra, vamos avaliar também se ficaremos na Bahia. Temos que gerar resultados para a companhia, e são esses resultados que reduzirão nosso endividamento", afirmou o executivo. Ao fim do terceiro trimestre de 2015, a Vanguarda contabilizava uma dívida líquida de US$ 242,59 milhões (R$ 963,8 milhões).

Cristiano Rodrigues, CFO da companhia, disse que as negociações com os bancos para o alongamento do prazo de pagamento de dívidas que vencem até o fim do ano "estão indo bem". A perspectiva dele é que em três a quatro anos o nível de endividamento chegue a um "patamar confortável".

Conforme Moura, a Vanguarda chegou a cogitar a venda de uma fazenda para baixar o endividamento. "No passado, levantamos essa opção, houve uma oferta firme, mas a companhia preferiu não vender". Hoje, 70% da produção da Vanguarda está em terras arrendadas.

A Vanguarda iniciará a colheita de soja ainda em dezembro, previu Márcio Ferreira, diretor de operações. A companhia já negociou 56% da safra 2015/16 do grão, à média de US$ 10,2 por bushel – acima dos atuais US$ 8,8 da bolsa de Chicago. "Teremos soja nas primeiras semanas de janeiro, quando Mato Grosso ainda não terá, então poderemos ter um prêmio melhor", disse o diretor comercial Sandro Costa.

Por Mariana Caetano | De São Paulo

Fonte : Valor