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Falcão promete continuar trabalho de Eliana Calmon

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André Borges/Folhapress / André Borges/Folhapress
Francisco Falcão diz que seu estilo é diferente, mas rigor é o mesmo de Eliana

O ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), assumiu a Corregedoria Nacional de Justiça com a promessa de continuar a realizar inspeções nos tribunais e investigações de desvios de magistrados. Com seu perfil discreto e moderador, pretende seguir o trabalho de sua antecessora, ministra Eliana Calmon. Mas a seu modo. "Quem pensa que farei uma gestão diferente está muito enganado", disse na quinta-feira antes de tomar posse. "Somos muito amigos. Os estilos são diferentes, mas o rigor será o mesmo".

O pernambucano – filho do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Djaci Alves Falcão – adotará, segundo ele, uma posição intermediária, de equilíbrio, na condução de investigações de magistrados. Durante sabatina no Senado, afirmou que não seria nem "calmoniano" nem "pelusiano", fazendo referência ao embate de opiniões entre Eliana Calmon e Cezar Peluso, ex-presidente do STF, sobre a competência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para abrir investigações, antes das corregedorias locais.

Como herança da gestão de Eliana Calmon, assumiu um órgão com grande visibilidade e popularidade, além de um termo de cooperação para troca de informações com a Polícia Federal – assinado por Eliana no último dia de mandato.

Falcão afirmou que agirá com mão de ferro para "tirar as maçãs podres do Judiciário". Segundo ele, "os maus juízes que não trabalham". Mas não pretende quebrar sigilo fiscal de ninguém sem autorização judicial, referindo-se às investigações patrimoniais de magistrados iniciadas na gestão de Eliana.

Juiz de carreira da Justiça Federal, Falcão tomou posse no Superior Tribunal de Justiça no mesmo dia que Eliana: 30 de junho de 1999. Tornou-se amigo da ministra. Segundo ele, recebia todos os dias ligações de Eliana durante o auge de pressões para recuar nas investigações, inclusive patrimoniais, de magistrados. "Dizia a ela que se tivesse a mídia e o Ministério Público a seu lado, sairia vitoriosa, e foi o que ocorreu", disse, acrescentando que não teme um novo movimento para restringir os poderes do CNJ. "A batalha está ganha. E isso é irreversível". (BP)

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Fonte: Valor | Por De Brasília