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Exportação de etanol ao Caribe definha

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Por alguns anos, a melhor alternativa das usinas brasileiras para fugir das barreiras à importação de etanol impostas pelos Estados Unidos era exportar o biocombustível para o país via Caribe e América Central. Mas esse caminho perdeu grande parte do sentido com o fim da tarifa de importação americana, em janeiro deste ano. Beneficiados por acordos que os isentam de tarifas na venda ao mercado dos EUA, mercados caribenhos ou centro-americanos chegaram a ter uma capacidade conjunta de reprocessamento de 3,1 bilhões de litros de etanol hidratado, agora reduzida a pouco menos de 1 bilhão, de acordo com estimativas do mercado.

Durante o período de vigência da tarifa americana de importação, de 54 centavos de dólar por galão (3,785 litros), a viabilidade econômica da exportação e desidratação do etanol no Caribe e na América Central tinha como base a diferença de preços (spread) entre o hidratado e o anidro no Brasil, historicamente em torno de 12% a 15%. Isso porque o custo total de se levar esse etanol do Brasil até esses países fica entre 60 e 65 centavos de dólar por galão (frete, seguros e reprocessamento) – ou seja, praticamente o mesmo valor da tarifa.

Agora, com o fim da taxa americana, esse spread precisa ser bem superior a 12% para compensar a desidratação e o reembarque aos EUA a preços competitivos. Há dois meses, isso até aconteceu, dizem especialistas. A diferença de preço entre os dois tipos de etanol no Brasil chegou a 24% e alguns negócios voltaram a ser fechados. Segundo estimativas do mercado, um volume de 350 milhões de litros de hidratado deve ser embarcado aos países do Caribe e da América Central para desidratação e posterior exportação aos Estados Unidos nesta temporada 2012/13.

em média, os importadores pagaram este ano às usinas no Brasil US$ 30 por metro cúbico de etanol hidratado, acima da remuneração naquele momento no mercado doméstico brasileiro – o equivalente a R$ 0,06 por litro.

Mas o fato é que esse mercado agora passou a ser conhecido como "liga e desliga", uma vez que as janelas de oportunidades de negócio tendem a abrir e a fechar muito rapidamente. Por isso, apenas três das nove plantas de desidratação das duas regiões ainda estão operando, segundo estimativas do mercado. Tecnicamente, a desidratação significa retirar 5% de água do etanol hidratado, que tem um teor alcoólico de 95,1% nas especificações brasileiras.

A maior parte dos investimentos nessas unidades industriais foi feito por grupos locais, em parceria com governo. Em 2008, auge da operação de desidratação, havia três unidades na Jamaica, duas em El Salvador, duas em Trinidade e Tobago, uma na Costa Rica e outra na ilha de Saint Croix (mar do Caribe) – os países do Caribe são beneficiados pela Iniciativa da Bacia do Caribe (Caribbean Basin Initiative) e El Salvador, pelo Cafta (Acordo de Livre Comércio com a América Central). Ambos isentam essas regiões de tarifas de importação no mercado americano.

Algumas tradings de etanol do Brasil apenas arrendaram unidades locais para garantir a transformação de etanol hidratado em anidro e reexportar sem tarifa aos Estados Unidos. A exceção foi a extinta trading Cristalsev, que investiu numa planta de desidratação em El Salvador em parceria com a Compañía Azucarera Salvadoreña SA.

Ocorre que o mercado não acreditava que a tarifa de importação americana poderia não ser renovada, diz um especialista. "Algumas unidades foram inauguradas seis meses antes de expirar o imposto de importação dos Estados Unidos", recorda.

Assim como as exportações brasileiras de etanol, a operação de "desidratação" do hidratado brasileiro via Caribe e América Central para reembarque aos EUA sempre oscilou. Mas atingiu seu auge em 2008, quando do total de 5,1 bilhões de litros de etanol exportados pelo Brasil, 1,1 bilhão foram para esses países, conforme informações do Ministério da Agricultura, com base em dados da Secex/MDIC.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo