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Exportação de café tende a ganhar ritmo

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Os volumes de café exportados pelo país ficaram abaixo do que o segmento é capaz de embarcar nos últimos meses, mas a performance tende a melhorar com a entrada da safra 2017/18, que já está sendo colhida, disse na sexta-feira, em evento em São Paulo, Nelson Carvalhaes, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé),.

Em maio, as exportações brasileiras de café verde e industrializado somaram 2,4 milhões de sacas, queda de 3,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. A receita com os embarques alcançou US$ 418,9 milhões, alta de 13% na comparação, refletindo a valorização de 17,2% no preço médio do produto exportado, que ficou em US$ 171,84 por saca em maio, de acordo com o Cecafé.

"Exportação de 3 milhões de sacas para baixo por mês não é normal. Mas, com os problemas climáticos [de 2016], o volume ficou abaixo disso", disse Carvalhaes, numa referência às intempéries que afetaram principalmente a produção de café conilon no Brasil. "Temos capacidade para exportar entre 3 milhões e 3,5 milhões de sacas por mês".

A expectativa do dirigente é que a entrada dos volumes da safra 2017/18 – que ainda está "em ritmo lento" – permita que os embarques melhorem no segundo semestre.

Do total exportado em maio, 2,2 milhões de sacas foram de café arábica, um incremento de 1,3% em relação ao mesmo mês de 2016. Já As vendas externas de conilon caíram 71,3%, para 19,6 mil sacas.

No acumulado do ano-safra 2016/17 (julho de 2016 a maio de 2017), as exportações também recuaram sobre igual intervalo do ciclo anterior. Foram embarcadas 30,7 milhões de sacas, uma redução de 7,3%. Já entre janeiro e maio deste ano a redução na comparação com os cinco primeiros meses de 2016 foi de 8,2%, para 12,7 milhões de sacas.

Diante dos números observados até agora, a expectativa do Cecafé é que as exportações no ano fiquem estáveis em 34,2 milhões de sacas. Para o ano-safra 2016/17, que está se encerrando, a perspectiva é de decréscimo para entre 33,2 milhões e 33,4 milhões de sacas, ante as 35 milhões da temporada 2015/16.

Apesar da queda registrada em maio na comparação anual, Carvalhaes considerou o resultado positivo, uma vez que houve aumento de 9,9% sobre abril, quando foram exportadas 2,2 milhões de sacas.

"Foi uma surpresa positiva neste período de entressafra, e mais um indício de que devemos fechar tanto o ano cafeeiro quanto o civil com bom desempenho. Ainda abaixo dos recordes registrados anteriormente, mas podemos considera positivo dentro de um cenário desafiador com a oferta comprometida devido a fatores climáticos", disse o dirigente em nota. Segundo Carvalhaes, "o sentimento do mercado é de que estoques de café se exauriram. E levará tempo para formar novos estoques devido à demanda mundial". Ele avaliou, contudo, que o cenário de oferta pode melhorar na safra 2018/19, que será colhida no ano que vem. "Se tudo correr bem com o clima, tudo indica que 2018/19 será uma boa safra". Assim, seria possível voltar a atingir recordes de exportação. O último foi em 2015 (37 milhões de sacas).

Ele também traçou um cenário positivo para o consumo mundial de café e afirmou que o Brasil tem capacidade para atender esse avanço da demanda. Citando dados da Organização Internacional do Café (OIC), informou que o consumo global está entre 154 milhões e 155 milhoes de sacas. O Brasil, afirmou, atende a um terço dessa demanda, considerando os volumes que exporta e também a demanda interna.

"Considerando o ritmo de avanço da demanda, em dois anos o consumo deve encostar em 160 milhões de sacas", disse. Até 2020, a expectativa mais otimista é que o consumo chegue a 200 milhões de sacas.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor