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Exportações gaúchas voltam a cair em abril

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Embarque da supersafra de soja ajudou a diminuir o impacto do preço das commodities e das perdas com a indústria

Guilherme Daroit

TECON RIO GRANDE/DIVULGAÇÃO/JC

Vendas externas do Estado somaram US$ 1,64 bilhão no mês passado

Vendas externas do Estado somaram US$ 1,64 bilhão no mês passado

Ainda que exporte mais, o Rio Grande do Sul está ganhando menos com as vendas para o exterior. Em abril, segundo dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE), mesmo tendo exportado volume 24,1% maior do que no mesmo mês de 2014, o valor gerado por essas vendas caiu 1,1%. Foram US$ 1,64 bilhão trazidos à economia gaúcha pelas exportações no mês passado. A queda, culpa da redução do preço internacional das commodities, só não foi maior por conta dos bons resultados da nova safra de soja, que representou, sozinha, 91% das vendas agrícolas do Estado.
Nos produtos do campo, apenas o trigo também registrou variação positiva considerável em relação a 2014. Praticamente sem base de comparação, já que o Estado, tradicionalmente, não é um grande exportador do grão, o incremento de US$ 31,7 milhões nas vendas do produto se explica pelo repasse do trigo de baixa qualidade a novos destinos, como Bangladesh e Tailândia. Quem freou o resultado da agropecuária, porém, foi o milho, que diminuiu em US$ 88,5 milhões suas exportações em relação ao ano passado, e deixou o aumento total do setor em apenas US$ 37,6 milhões.
Já a indústria de transformação registrou números ainda menos empolgantes. Dos 22 setores avaliados, 14 venderam menos ao exterior. Entre os casos positivos, o de maior relevância talvez seja o dos químicos, que gerou US$ 36 milhões a mais no mês passado. "Mesmo assim, esse crescimento se dá pela venda a países que não são os tradicionais compradores desses produtos, como Uganda, então provavelmente se mostre algo bem pontual", projetou o economista da FEE, Guilherme Risco.
No entanto, é o início de uma nova supersafra de soja, cujo incremento na produção deve chegar a 14,6% nesta temporada, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que oferece melhores notícias. Somando-se as vendas do grão, do farelo e do óleo, o produto representou praticamente metade de todas as exportações gaúchas em abril. "Ainda que o preço da soja tenha caído 35%, é ela que puxa o crescimento da agropecuária, e, como o ápice da venda do produto costuma acontecer em maio e junho, a perspectiva futura é ainda mais favorável", argumentou o pesquisador da instituição, Tomás Torezani.
Caso se confirme, a grande venda da soja pode ajudar, também, a recuperar os indicadores do ano como um todo. As exportações gaúchas acumuladas, no período de janeiro a abril, alcançam US$ 4,7 bilhões, o que representa redução de 3,8% em relação ao mesmo período de 2014. No ano, o cenário se repete: mesmo crescendo a agropecuária (45% em volume e 13,1% em valor, alcançando já US$ 1,1 bilhão), a queda na indústria anula o resultado.
Os US$ 3,6 bilhões gerados pelo setor de transformação são 7,7% a menos do que no ano passado. "Talvez agora, com a ligeira desvalorização cambial, consigamos recuperar um pouco da competitividade nos produtos industrializados", afirma Risco. Até abril, as maiores quedas no ano foram registradas nos derivados de petróleo (US$ 142,9 milhões a menos em relação a 2014) e, curiosamente, nos químicos que, mesmo com o crescimento em abril, ainda acumulam diminuição de US$ 97,6 milhões neste ano.

Resultado melhor do que o nacional eleva importância do Rio Grande do Sul no comércio externo

Se as exportações gaúchas registraram uma ligeira queda, o panorama nacional é muito pior. Em abril, as exportações brasileiras tiveram redução de 23,2% no valor e, no acumulado do ano, de 16,4%. "Além do petróleo em constante queda, o preço do minério de ferro também já baixou mais de 50% nos últimos meses, o que tem complicado o índice nacional e de alguns estados", argumenta o pesquisador da FEE, Tomás Torezani.
Até abril, as vendas ao exterior do Pará, por exemplo, que dependem muito do minério, já caíram 22,8%. No Mato Groso, que enfrenta problemas na colheita da soja por conta das chuvas, a queda já atinge 33,2%. Como a redução no Rio Grande do Sul, de 3,8%, é a menor entre os principais estados exportadores, o Estado tem galgado posições no ranking nacional.
Em abril, os produtos gaúchos corresponderam a 10,9% do total do Brasil, maior índice para o mês desde 2004. Com isso, ficou atrás apenas de São Paulo. Em 2014, por exemplo, o Estado era apenas o 5º, com 8,4% do total, posição tradicional. Já no acumulado do ano até aqui, o Rio Grande do Sul é o quarto maior exportador do País, com 8,2% do total, contra os 7,1% registrados no ano passado, que lhe davam a 6ª posição.
"Caso não se resolvam as questões do Mato Grosso, temos a oportunidade de continuar a crescer na exportação de soja, na esteira da China e, inclusive, para novos países", conclui Tomezani. Em 2012, por exemplo, quando a safra gaúcha teve quebra, o próprio Mato Grosso expandiu suas vendas, já que a China nunca diminuiu sua importação de soja brasileira – e não deve o fazer neste ano, de novo, segundo o economista Guilherme Risco. Além do país asiático, os principais destinos das vendas gaúchas no ano foram Argentina e Estados Unidos, que já são, tradicionalmente, nossos principais parceiros comerciais.

Fonte: Jornal do Comércio |