Exportações de frutas frescas mantêm ritmo de recuperação

Ana Paula Paiva/Valor / Ana Paula Paiva/Valor

Apesar da queda das importações, o mercado brasileiro ainda apresenta oportunidades para produtos de fora como o pêssego "achatado" vindo da Espanha

Depois de ver estancada, no ano passado, a vertiginosa tendência de queda das exportações iniciada em 2008, a fruticultura brasileira vislumbra uma recuperação consistente dos embarques neste ano. Ainda que não tenham colhido todos os benefícios da forte alta do dólar em junho, os exportadores do país contaram com um câmbio já mais favorável e o bom desempenho das vendas de frutas como maçã e registraram aumento dos embarques no primeiro semestre.

Entre janeiro e junho deste ano, as exportações brasileiras de frutas frescas totalizaram 296 mil toneladas, 9,15% a mais que no mesmo intervalo de 2012 (271,2 mil toneladas), segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). Em receita, os embarques subiram 13,8% na comparação, para US$ 234,8 milhões.

"Ainda não são números totalmente animadores devido aos últimos anos de perdas, mas é um bom ano de recuperação", diz Cloves Ribeiro, gerente técnico do Ibraf, em referência à derrocada das exportações nacionais de frutas detonada com a crise de 2008, que deprimiu a demanda na União Europeia, mercado que absorve mais de 80% das frutas exportadas pelo Brasil.

Entre o auge dos embarques de frutas frescas para o exterior, em 2007, e o ano passado, a queda das exportações foi de 24,5%, de 918 mil toneladas para 693 mil toneladas, segundo o Ibraf. Nesse período, o pior desempenho aconteceu em 2011 – o quarto ano de queda consecutiva -, quando foram embarcadas cerca de 681 mil toneladas de frutas. O declínio só foi estancado no ano passado, quando as vendas tiveram uma leve alta de 1,7% ante 2011.

O aumento de 9,1% nos embarques de frutas no primeiro semestre demonstrou, portanto, que a recuperação ganhou consistência. Para Ribeiro, a retomada dos embarques está ligada sobretudo à valorização do dólar ante o real. Desde o início de 2012, a apreciação da moeda americana foi de cerca de 20%, para R$ 2,25. "Se o câmbio continuar nesse patamar, o exportador brasileiro vai ter fôlego para continuar na atividade, com expectativa de rentabilidade melhor do que nos últimos cinco anos", diz o gerente do Ibraf.

Ajudadas pelo câmbio favorável, as exportações de maçã e melão cresceram no primeiro semestre 25,3% e 7,6%, respectivamente, para 83,6 mil e 57,2 mil toneladas, de acordo com o instituto. As duas frutas foram, na primeira metade deste ano, os principais produtos da pauta brasileira de exportações do segmento (47,5% dos embarques).

Tradicionalmente, o melão é a fruta mais exportada pelo país, mas essa tradição só deve se confirmar no último trimestre do ano, quando as exportações do melão produzido no Rio Grande do Norte começam a ganhar força, superando 100 mil toneladas no acumulado do ano. Já os embarques de maçã estão praticamente encerrados.

A despeito das "janelas" distintas de exportações, maçã e melão têm em comum o segundo ano consecutivo de avanço dos embarques, depois dos problemas climáticos de 2011. No caso da maçã, diz Ribeiro, houve uma "leve redução" na produção neste ano, mas a melhor qualidade das frutas colhidas em Santa Catarina facilitou as exportações.

No lado das importações de frutas frescas, o cenário é o oposto do desenhado nas exportações. No primeiro semestre de 2013, o Brasil importou 207,4 mil toneladas, 10,3% menos que nos primeiro seis meses de 2012, segundo o Ibraf. O gasto com as compras caiu 2,6% na comparação, para US$ 246,1 milhões.

Para Ribeiro, essa queda é explicada pela combinação entre a alta do dólar – que encarece os produtos trazidos do exterior -, pela leve redução da demanda doméstica por conta da elevada inflação dos alimentos no Brasil e por um aumento modesto na produção de frutas como peras e ameixas. As importações dessas frutas caíram 17,9% e 18,4%, respectivamente, para 96,1 mil e 18,2 mil toneladas no período.

Apesar da redução das importações, o cenário não é de todo ruim nesta neste prato da balança. As compras do exterior seguem em nível elevado, 180% maior que há dez anos. Conforme o Ibraf, no primeiro semestre de 2003, foram importadas 74,2 mil toneladas de frutas.

Como o consumo de frutas no Brasil continua em patamares historicamente altos, ainda há espaço para novas experiências, a exemplo do pêssego achatado que começa a ser apresentado aos consumidores das principais redes varejistas do país. Originário da China e conhecido como "paraguayo", a variedade importada da Espanha é achatada e branca por dentro. Também tem menos penugem na casca, o que tem atraído a simpatia de consumidores. (Colaborou Bettina Barros)

© 2000 – 2013. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/agro/3213832/exportacoes-de-frutas-frescas-mantem-ritmo-de-recuperacao#ixzz2aRDxysF4

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo