Exportações de carne bovina recuam 17% no ano

A fraca demanda dos três maiores clientes do Brasil – Hong Kong, Rússia e Venezuela – derrubou as exportações de carne bovina este ano. De acordo com estimativa divulgada ontem pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), os embarques do produto ao exterior totalizarão 1,4 milhão de toneladas, queda de 7% na comparação com as 1,5 milhão de toneladas exportadas em 2014.

O desempenho também afetou a receita cambial obtida com as exportações de carne bovina do Brasil. Conforme a Abiec, as vendas do produto brasileiro ao exterior devem render US$ 6 bilhões, montante 17% inferior aos US$ 7,2 bilhoes reportados no ano passado.

Em entrevista a jornalistas, o presidente da Abiec, Antonio Camardelli, fez questão de enfatizar ontem o papel negativo que os três clientes tiveram no desempenho geral. Juntos, Hong Kong, Rússia e Venezuela diminuíram os gastos com as compras do produto brasileiro em cerca de US$ 1,5 bilhão apenas no acumulado de 2015 até novembro. O valor supera inclusive a queda de US$ 1,2 bilhão das exportações como um todo em 2015.

A forte redução da demanda de Rússia e Venezuela está relacionada à severa crise econômica vivida pelos dois países. Já as exportações para Hong Kong foram afetadas pela maior fiscalização da China contra a triangulação de carnes, de acordo com fontes do mercado.

Espécie de "vilã" para os frigoríficos nas vendas para Hong Kong, a China aparece também como a maior esperança para 2016. A Abiec projeta que as exportações rendam US$ 7,5 bilhões no próximo ano – um recorde. O volume exportado também deve crescer, para 1,7 milhão de toneladas.

"A China foi de fato um presente de natal antecipado", avaliou Camardelli, citando a reabertura, em maio, do mercado da China às exportações de carne bovina in natura do Brasil. Já em 2015, as exportações aos chineses surpreenderam, e o país se tornou um dos três maiores compradores do Brasil.

Com a expectativa de que mais três frigoríficos brasileiros sejam autorizados a exportar para China ainda em janeiro de 2016 – atualmente, são onze plantas habilitadas -, a Abiec projeta que as exportações para o país asiático atingirão um volume mensal entre 20 mil e 25 mil toneladas em 2016, rendendo US$ 1,3 bilhão.

Além da China, os EUA também sustentam o otimismo da Abiec. Anunciada em junho deste ano durante a vista da presidente Dilma Rousseff ao país, a abertura do mercado americano à carne bovina in natura do Brasil deve superar os entraves pendentes no primeiro semestre do 2016, disse o diretor-executivo da Abiec, Fernando Sampaio. Assim, a expectativa é que os primeiros embarques ocorram no segundo semestre. As projeções da Abiec já consideram uma receita de US$ 102 milhões com as vendas aos EUA.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor