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Exportador não confirma safra menor

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Cafeicultores do Brasil têm dito que a próxima safra de café (2012/2013) poderia cair em relação ao último ano de alta na produção por conta de problemas na florada, o que afetaria os embarques do País, mas os exportadores avaliam que ainda é cedo para afirmar que parte da colheita nacional não vingará como esperado.

Segundo o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Guilherme Braga, cafeicultores do sul de Minas, Cerrado Mineiro, Zona da Mata e Bahia apontaram, em evento recente em Varginha (MG), que a safra 2012/2013 poderá ter queda de 5% em relação ao último ano de alta no ciclo bianual do arábica (2010/ 2011), por problema do não vingamento da florada em função de poucas chuvas.

Com longa experiência no setor, Braga afirma, porém, que ainda não é possível concluir que a produção cairá como estão dizendo, e que apenas em janeiro o setor produtivo poderá ter uma eventual confirmação de suas avaliações. “É um pouco prematuro fazer exercícios de adivinhação, o pessoal que fala em possíveis perdas olha esse fato que ainda não se manifestou: o abortamento (da florada). Se ocorrer, vai ser visível a partir de janeiro”, disse o executivo do Cecafé.

Para Braga, objetivamente houve uma florada “muito boa”, que aconteceu há dois meses, e um período de chuva “muito bom”. “Tudo é no sentido de termos uma boa safra. Temos de partir desses elementos objetivos. A safra deveria vir com um número maior. Agora esse negócio do pegamento (da florada), de que isso pode frear um pouco aquilo que seria um volume maior de safra, ainda é muito com base em opiniões”, acrescentou.

Dados da Somar Meteorologia indicam que importantes regiões de Minas Gerais, maior estado produtor do País que é o principal produtor e exportador global de café, efetivamente fecharam os meses de outubro e novembro com déficit de chuvas em relação à média histórica. Em outubro, o déficit foi menor, de até 14%, mas em novembro choveu menos, com algumas regiões do sul de Minas vendo um desvio de até 38%, embora não tenha faltado chuva, com um acumulado no mês de mais

de 100 milímetros.

De acordo com Braga, é importante aguardar também a primeira estimativa da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB), no início de janeiro, quando deverá ser informado o tamanho da área de produção, que pode crescer. “Elementos como esse da área não são conhecidos, não se tem uma visão de conjunto, vamos dizer que ela detecte um aumento de área, é possível, não diria muito, o que a gente sabe é que houve uma tendência forte de adensamento, mas estamos ai há três anos em cenário de preços positivos”, ressaltou.

O diretor do Cecafé disse que não se pode descartar possíveis prejuízos, mas lembrou que tais comentários sobre o tamanho da safra ocorrem todos os anos. Segundo o diretor do Cecafé, se a safra 2012/2013 cair 5% na comparação com o último ano de alta, a produção seria de 52,5 milhões de sacas, contra 55 milhões de sacas de 2010/2011, conforme dados do mercado, sempre superiores aos do governo. No anosafra (2010/2011), a exportação foi 35 milhões de sacas, este ano, ano-calendário, deve fechar em 33 milhões, segundo Braga.

Na hipótese de se confirmar a queda na produção esperada pelos cafeicultores, a redução na oferta para exportação não seria elevada. “Não creio que exerça uma importância grande no volume”, disse o diretor, acrescentando que não será uma produção menor que a esperada que evitará que o Brasil continue ganhando mercados, especialmente num momento de oferta global mais apertada, no qual são pagos prêmios atípicos pelo produto brasileiro.

Fonte: JORNAL DO COMMERCIO – RJ  | ROBERTO SAMORA | DA AGÊNCIA REUTERS