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Expoleite 2015 debate abertura de mercados

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Após mais uma etapa da Operação Leite Compensado, setor quer recuperar a confiança do consumidor no produto

Luiz Eduardo Kochhann

FERNANDO DIAS/SEC. AGRICULTURA/DIVULGAÇÃO/JC

Evento acontece no Parque de Exposições Assis Brasil até domingo

Evento acontece no Parque de Exposições Assis Brasil até domingo

A Expoleite inicia, hoje, enfrentando pelo terceiro ano consecutivo as consequências das fraudes apuradas por mais uma etapa da Operação Leite Compensado, deflagrada pelo Ministério Público. Por isso, entre os objetivos da cadeia leiteira, estão a valorização do produto gaúcho e o desenvolvimento de uma política de incentivo à exportação que colaborem na recuperação do setor após seguidas quedas na demanda interna. A 38ª edição do evento acontece, concomitantemente com a 11ª Feira Nacional de Agronegócio do Sul (Fenasul), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, até domingo.
"As fraudes trazem, como primeiro reflexo prejudicial, a imposição de uma agenda negativa, quando precisaríamos estar discutindo questões técnico científicas", destaca o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês (Gadolando), Marcos Tang. Segundo a entidade organizadora do evento, o objetivo da programação é resgatar a confiança do consumidor sobre o leite gaúcho. "Se criou uma insegurança e o consumo retraiu. Mas 97% do leite gaúcho é fiscalizado diariamente. Então, vamos seguir focando em qualidade e no mercado", completa.
No decorrer da semana, serão realizados debates sobre os dois temas. O 5º Simpósio do Leite, por exemplo, abordará questões como rebanho, indústria, fiscalização e varejo. Na sexta-feira, será apresentado um censo do produtor leiteiro gaúcho. Enquanto isso, cerca de 400 alunos de escolas da região devem passar pelo Mundo do Leite, apresentação sobre todo o processo produtivo da cadeia, com direito a degustação de alimentos lácteos. Os visitantes também poderão conhecer os quase 160 animais inscritos, principalmente da raça Holandesa. A estimativa é de que R$ 1 milhão em negócios sejam gerados.
O setor congrega cerca de 134 mil produtores e mais de 100 indústrias, representando 7% do PIB gaúcho. São produzidos cerca de 12 milhões de litros diariamente, sendo que 4 milhões são consumidos no Estado. De acordo com Tang, apenas 5% é exportado para outros países, com destaque para a Venezuela. "No Brasil, nosso grande comprador é São Paulo, mas não podemos depender de um só. Também precisamos de apoio das autoridades políticas e capacitação das indústrias para facilitar negócios internacionais", afirma. Dentro do País, o objetivo é aumentar o consumo per capita, que hoje é de 172 litros, mesmo com a Organização Mundial da Saúde recomendando 200 litros.
Atualmente, o preço pago ao produtor está em torno de R$ 0,90 o litro, mas a expectativa é de recuperação nos próximos meses, uma vez que, por uma questão sazonal, a oferta é alta e a demanda baixa nos primeiros meses do ano, relação que se inverte a partir de junho. Na avaliação do presidente da Gadolando, para cobrir os custos atuais, esse valor deveria ser de pelo menos R$ 1,00. Tang é contrário à ideia, levantada pelo governo estadual na última edição da Expoleite, de duplicar a produção gaúcha. "Nossa produção está em um bom patamar. É hora de pensarmos em consolidar qualidade e abrir mercados. Não adianta produzir sem ter para quem vender", completa.

Fonte: Jornal do Comércio |