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EXPOINTER – Renda mais baixa segura investimentos no campo

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PROJEÇÃO DA EMATER de safra de verão 10% menor e baixa de preço de produtos agrícolas exigirão sangue frio na hora de os agricultores gaúchos assumirem riscos

Após cinco anos consecutivos de safra cheia e bons lucros, o agricultor gaúcho encara uma nova realidade. Estimativa da Emater, divulgada ontem na 40ª edição da Expointer, prevê redução de 10% na colheita de verão em 2018 – em comparação com o ciclo anterior. A renda menor, por conta da baixa de preço dos principais produtos agrícolas, exigirá sangue frio do produtor na hora de assumir riscos.

Se as projeções atuais forem mantidas, o Rio Grande do Sul deverá colher uma safra de 29,94 milhões de toneladas no verão, contra 33,3 milhões de toneladas no ciclo anterior.

– O produtor vem de uma sequência de safras recordes. Agora, o cenário é de cautela – disse Clair Kuhn, presidente da Emater, ao divulgar os dados.

Além da redução do volume a ser colhido, a previsão é de diminuição de 15% no faturamento. A receita bruta da colheita de verão deverá girar em torno de R$ 25 bilhões. A redução se deve à baixa de preço dos principais produtos agrícolas. O cálculo do faturamento é feito com base na produção estimada e nos valores atuais praticados para as principais culturas de verão – soja, arroz, milho e feijão. O montante poderá ser alterado até o início da colheita, no primeiro trimestre de 2018.

– O campo gerará menos riqueza. A oscilação de preço de produtos como soja, milho e arroz impacta diretamente a economia gaúcha – diz o secretário de Desenvolvimento Rural, Tarcísio Minetto.

Segundo o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelo Produtor, medido pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), a queda acumulada em 12 meses, de julho de 2016 a junho de 2017, foi de 24%.

– A renda mais baixa já é uma realidade enfrentada pelo produtor – destaca Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.

A decisão de investimento, frisa o economista, é particular:

– Se o negócio for viável, mesmo com a retração dos preços, não tem porque não investir. E se o produtor não sabe se é viável, aconselho a descobrir – afirma Luz.

O cenário é traduzido no comportamento de boa parte dos produtores que visitam a Expointer, em Esteio. Agricultor em Espumoso, Ricardo Ottoni veio para Esteio apenas para olhar as máquinas e equipamentos – sem a pretensão de investimento agora. Com 600 hectares de soja cultivados na última safra, não vendeu nenhuma saca ainda:

– O preço é pouco atrativo. Vamos esperar até outubro ou novembro para ver o que acontece com o mercado – diz Ottoni, que deixou de plantar milho nas últimas duas safras e apostou todas as fichas na soja.

joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora