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EXPOINTER – Olhar para reconhecer campeões

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ESCOLHIDOS A DEDO, jurados trabalham discretamente para apontar os vencedores da feira

Eles são meticulosos, extremamente observadores, especialistas técnicos ou com notório saber. Eleitos a dedo pelas associações de criadores de raças, os jurados trabalham discretamente, por vezes no anonimato. São seus olhares apurados e criteriosos que definem os animais a ganharem a tão cobiçada escarapela – a roseta símbolo de um grande campeão da Expointer.

No julgamento da raça ovina corriedale ontem, uma cena pouco comum: dois jurados dividindo o mesmo espaço – normalmente, reservado a apenas uma pessoa. Enquanto um analisava o comprimento do tronco do animal, importante para a quantidade de carne, o outro avaliava a qualidade da lã. O argentino Antonio Linares e o brasileiro João Degrazia Matas Solés foram designados pela segunda vez para avaliar juntos os ovinos da raça – com aptidão para produção de carne e de lã. A primeira foi em 2015.

– Temos de chegar em um consenso. O bom é que pensamos parecido – brincou o zootecnista argentino, vindo da Província de Buenos Aires.

Jurado da raça corriedale em feiras argentinas desde o final da década de 1960, Linares une sua experiência a do agrônomo Solés, que julga ovinos no Rio Grande do Sul desde 1975. Ambos acompanharam a evolução genética dos animais nas últimas quatro décadas.

– Essa união é importante para integrar as características comuns buscadas pela raça em países vizinhos – disse Solés.

Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e com linhas de pesquisa sobre búfalos, o zootecnista Harold Ospina Patino foi o eleito para julgar os 12 bubalinos expostos. Colombiano naturalizado brasileiro, o especialista avaliou ontem os exemplares das raças murrah, de origem indiana, e mediterrâneo, de procedência italiana.

– As características dos animais revelam aptidões que irão resultar em carne e leite de melhor qualidade – explica Patino, citando a tradicional mussarela de búfala.

joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora