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Expointer deverá consolidar retomada do agronegócio

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Feira será lançada nesta quarta-feira em meio a boa safra, valorização da soja no Exterior, clima favorável e amplo financiamento

Expointer deverá consolidar retomada do agronegócio Nauro Júnior/Agencia RBS

Foto: Nauro Júnior / Agencia RBS

Nilson Mariano e Vagner Benites

nilson.mariano@zerohora.com.br e vagner.benites@zerohora.com.br

A Expointer que será lançada nesta quarta-feira com a pompa e a circunstância do otimismo, em Porto Alegre, deverá consolidar a recuperação do agronegócio no Rio Grande do Sul.

Graças a uma rara conjunção – boa safra, valorização da soja no mercado internacional, clima favorável e amplo financiamento aos produtores –, os negócios poderão superar as cifras do ano passado, quando foi rompida a barreira dos R$ 2 bilhões.

Marcada para ocorrer de 24 de agosto a 1º de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, a Expointer vai assinalar a retomada do vigor no campo após as quebras de safra de 2012. Para o secretário da Agricultura do Estado, Luiz Fernando Mainardi, será uma feira para se comemorar o que define como "ano espetacular" para o setor.

– O desempenho da agricultura e da pecuária estabiliza a economia gaúcha – destaca Mainardi.

O campo é o motor da economia gaúcha. Representa um quarto do Produto Interno Bruto (PIB), e tem o poder de alavancar a indústria e a área de serviços. Levantamento da Fundação de Economia Estatística (FEE) aponta que, na última década, vigorou a máxima de que o PIB gaúcho cresce mais do que o brasileiro quando a agropecuária foi bem.

O agronegócio apresentou taxas positivas nos anos de 2001, 2003, 2006, 2007, 2009, 2010 e 2011. Quando houve estiagem e colheita escassa, o PIB do Estado encolheu mais do que o nacional. O economista da FEE Sérgio Fischer prevê que 2013 será de retomada do desenvolvimento, após a frustração do ano passado.

– O PIB gaúcho poderá ter um crescimento maior do que o do Brasil – analisa.

A coordenadora do Núcleo de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-Sul), Maria Flávia de Figueiredo Tavares, acrescenta que não apenas a safra de grãos turbina a economia. Lembra que a produção de citros, vinhos e carnes se expandiu, aderindo a novas tecnologias.

– O agronegócio vem com força maior, de uma forma mais empresarial – observa.

Produtores estão alentados. O presidente da Comissão de Feiras e Exposições da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Francisco Schardong, diz que a Expointer vai ser a vitrina para a América do Sul. Promete que o evento será ainda mais dinâmico e inovador, com destaques para irrigação, agricultura de precisão e intercâmbio com outros países participantes.

Na agenda
O que: Expointer 2013
Quando: 24 de agosto a 1º de setembro
Onde: parque Assis Brasil, em Esteio
Crédito chega a quase R$ 2 bilhões

Para sustentar o crescimento previsto na safra 2013/2014, os governos federal e estadual preveem valores recordes em crédito para a temporada. Na Expointer, a oferta de recursos também deve ter alta neste ano.

As cinco principais instituições presentes na feira estimam uma disponibilidade de pelo menos R$ 1,95 bilhão em crédito, valor que pode crescer conforme a demanda dos compradores. Armazenamento e irrigação devem puxar a alta na liberação de recursos.

– Esperamos pelo menos dobrar as contratações na feira deste ano – estima o gerente de planejamento da BRDE, Alexander Leitzke.

Os valores se somam aos já anunciados nos planos Safra. O governo federal anunciou R$ 136 bilhões para a agricultura empresarial, enquanto o Estado terá R$ 2,7 bilhões no total.

Clima da próxima safra ainda é dúvida

É cedo para prever como a tempo vai se comportar durante a próxima safra de verão. A tendência atual é para um período de neutralidade, sem influência dos fenômenos El Niño e La Niña, o que dificulta uma previsão mais precisa dos meteorologistas para o cultivo das culturas de soja, milho e arroz, principais produtos das lavouras gaúchas.

Apesar das duas últimas grandes estiagens da década terem ocorrido sob influência dos fenômenos – El Niño, em 2005, e La Niña, em 2012 –, a previsão de neutralidade não é garantia de sucesso no campo. Até outubro, os prognósticos apontam chuva próxima da média histórica e bem distribuída.

– Dizer que não terá influência de El Niño e La Niña não quer dizer um período normal. Muitas quebras de safra ocorreram em épocas de neutralidade – afirma o coordenador do 8º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Solismar Prestes.

Sem resfriamento ou aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o tempo fica suscetível a outros fatores, difíceis de serem previstos com antecedência.

– Neste momento não é bom bater o martelo. A tendência é de neutralidade, mas é muito prematuro para afirmar – diz o meteorologista da Fepagro Glauco Freitas.

Valorização do dólar favorece carne e grãos

A valorização do dólar frente ao real deve impulsionar os ganhos no segundo semestre. O cenário amplia o valor recebido por produtos como carne bovina e grãos. No caso da pecuária, o ano já tinha uma perspectiva positiva nos negócios, devido à maior demanda dos mercados internacionais e à disponibilidade do produto no Brasil. A elevação nas exportações de carne deve chegar a 20%, contra os 10% previstos no início de 2013.

No mercado de grãos, a alta do dólar prejudica a compra de insumos para a próxima safra, mas garante lucro extra ao agricultor que tem produto armazenado. Em 2012, a soja alcançou valores recordes devido à seca nos EUA. Em 2013, os preços caíram, mas ainda permanecem acima da média.

Irrigação deve puxar vendas

As indústrias de máquinas e implementos agrícolas esperam repetir, no mínimo, o volume de vendas da última Expointer, quando tiveram grande participação no resultado final de R$ 2,02 bilhões. A perspectiva é tão alentadora que o número de expositores do segmento deverá aumentar 10% – o total será conhecido nos próximos dias.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Estado (Simers), Claudio Bier, destaca que os pivôs de irrigação devem ser puxadores de vendas. Já há lista de espera entre os produtores rurais, porque a fabricação dos equipamentos está abaixo dos pedidos, apesar do ritmo intenso dos operários.

Bier diz que o programa Mais Água, Mais Renda, do governo estadual, facilitou a liberação de financiamentos para a compra de pivôs. Na Expointer de 2012, quando o projeto engrenava, já ocorreu a procura. Neste ano, deve crescer ainda mais como defesa contra o ciclo de estiagens que assola o Estado.

O setor todo está otimista. Bier diz que a excelente safra deste ano, a valorização dos grãos no mercado internacional e as garantias de financiamento levarão os produtores às compras de tratores, colheitadeiras e outras máquinas agrícolas.

Fonte: Zero Hora