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EXPODIRETO – Fabricantes registram otimismo em demanda

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Produtores buscam máquinas desde o primeiro dia do evento e priorizam tecnologia

Produtores buscam máquinas desde o primeiro dia do evento e priorizam tecnologia

O negócio em torno de máquinas puxam a Expodireto, e os fabricantes na edição deste ano confirmam que o ânimo para comprar está em alta. Mesmo os dois primeiros dias da feira, que começou na segunda-feira e vai até amanhã, mostraram maior fluxo e interesse nos pátios dos estandes do que em anos anteriores, dizem executivos de marcas nacionais e multinacionais. Hoje deve ser o dia de maior movimento, e a busca será pela alta de 15% na receita, ou cifra global de R$ 1,7 bilhão, comparada ao desempenho de 2016. Até ontem, 142 mil visitantes passaram pelo parque da Cotrijal, em Não-Me-Toque.

A brasileira Stara quer seguir o rastro da projeção da organização e crescer 15% na Expodireto, diz o gerente comercial para a região Sul, Jeferson Stiven. Sem um lançamento completamente novo na edição, a marca vê crescer a busca pelas novidades de 2016, entre plantadeiras, distribuidores e pulverizadores. A novidade ficou para a Agrishow, em Ribeirão Preto, "porque não ficou pronta a tempo". "A safra recorde elevou o ânimo", atesta Stiven. A Emater divulgou que a safra deve chegar perto de 31 milhões de toneladas no Estado.

O gerente de vendas da John Deere para a região Sul, Tangleder Lambrecht, não dá volumes, mas garante que o otimismo está maior, dos concessionários aos clientes. "Desde o começo, estamos fazendo bons negócios, mesmo na segunda-feira teve mais demanda, fechando negócios, quando o normal é terça a quinta", observa Lambrecht. Um dos focos é aquisição para plantio e com maior intenção de comprar tecnologia. "O produtor quer plantadeira maior, quer a vácuo, melhor distribuição", descreve o gerente da John Deere.

O diretor de vendas da Massey Ferguson, Rodrigo Junqueira, detectou um "clima de maior confiança dos produtores" já nos primeiros dias. "Estamos vendo a família vindo para cá, em 2016 não vimos isso", contrasta Junqueira. Além de crise, que rebaixou vendas, no ano passado tinha chuva. "Neste ano, só se fala em tecnologia, máquina eficiente e produtividade", elenca o diretor da Massey. A marca está esperando os últimos dois dias para checar a saída de uma das novidades, que é uma colheitadeira destinada a pequenos produtores, nicho que não atendiam e fica na faixa do Mais Alimentos. "Tivemos boa segunda, terça e quarta, mas ainda temos de fechar com a quinta para saber como foi a feira", acautela-se o executivo da Massey.

Na Agrale, a expectativa é um mercado comprador de volta também embalado pela safra histórica, diz o gerente de vendas de tratores, Adriano Chiarini. Recuperar o cenário de vendas de tratores é fundamental, e Chiarini espera que o maior fluxo ontem e hoje possam confirmar a retomada. Até ontem, havia 15 a 20 em pedidos. Os produtos são voltados à agricultura familiar e vêm dentro de normas ambientais para motores e que exigirá mudança dos produtores. Chiarini vê que os visitantes estão com duas regras no bolso, para direcionar a decisão de investimento: comprar máquina nova e mais potente. "Esse é um caminho para contornar a falta de mão de obra no campo", explica o gerente da Agrale.

Mulheres estão cada vez mais participativas na tomada de decisão em propriedades rurais

Se a propriedade é familiar, a decisão é familiar, diz Andreia Fiorese (d)

Compra de máquina de adubação na feira foi decisão conjunta na família Klein
MARCO QUINTANA/JC

Pode ser o Dia Internacional da Mulher, comemorado ontem, mas que a ala feminina das propriedades rurais de todos os portes está bem presente na Expodireto 2017, não há dúvida. É só dar uma rápida passeada em meio a milhares de visitantes que lotaram o parque da Cotrijal, em Não-Me-Toque.

Nos três primeiros dias, a organização estimou em 142 ml visitantes. A meta é alcançar 250 mil até o fim do evento, amanhã. As mulheres chegam de diversos municípios e de todas as idades, muitas com filhos a tiracolo. Um dos alvos é a área de máquinas, e as chefes de família garantem que opinam cada vez mais sobre o rumo da lavoura.

"Se a propriedade é familiar, a decisão é familiar", diz Andreia Fiorese, que estava com o marido Evandro e a filha Pietra conferindo novidades de máquinas. Os Fiorese compraram um distribuidor de adubo, e a escolha seguiu critério que está em alta na mostra, da taxa variável, que permite distribuir nutrientes com programação e seguindo as diferenças do solo. "Isso vai ajudar na produtividade, se não estrutura a atividade, não crescemos", disse Andreia, que está sempre buscando informação. O modelo na casa dos Fiorese é a parceria. "É verdade", confirma o marido. Mãe e filha cuidam da produção leiteira, mas estão atentas à produção de grãos em Coqueiros do Sul, que é baseada em soja e trigo. Pietra estuda veterinária e vai também se dedicar à atividade.

De olho no pequeno Murilo e outro em uma colheitadeira gigante, Lisiane Klein disse que o marido ficou em casa trabalhando e ela que foi à feira conferir as novidades. A agricultora de Santo Antonio do Planalto diz que a tecnologia colabora para as mulheres estarem mais ativas no uso dos equipamentos. "Olha ali. A placa diz: ‘tem até piloto automático’. Dá para pilotar até quem não sabe (risos)", aponta Lisiane. Para ela, cabine fechada, com ar-condicionado e mais conforto estão abrindo porteira para a mão de obra feminina. "Antes não tinha, era tudo mecânico. Sem cabine, vinha aquele poeirão na gente (risos). Sabe né, mulher se arruma mais", descreveu a mãe de Murilo.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) reforça a ascensão feminina. Elas já são 56% do público dos cursos anuais. Na área de aprendizado para lidar com tecnologias, o instrutor de agricultura de precisão Marcos Haerter diz que filhas de agricultores e produtoras respondem por 30% e algumas vezes 40% dos alunos nas turmas.

MARCO QUINTANA/JC

Patrícia Comunello, de Não-Me-Toque

Fonte : Jornal do Comércio