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EXPODIRETO ESPECIAL – Venda de terras de grãos a estrangeiros pode ser restringida

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Maggi percorreu a feira, ciceroneado por Polo e Mânica, e disse o agronegócio impdiu que o Brasil ficasse de joelhos

Maggi percorreu a feira, ciceroneado por Polo e Mânica, e disse o agronegócio impdiu que o Brasil ficasse de joelhos

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, defendeu, nesta quinta-feira, em Não-Me-Toque, interior gaúcho, que as novas regras para compra de terras por estrangeiros tenham restrições na aquisição de áreas ocupadas por culturas anuais, como soja. Maggi diz que a pasta está no grupo governamental que discute a mudança e que proporá limites para estes casos. Ao visitar a Expodireto, que termina nesta sexta-feira na cidade do Planalto, o ministro evitou antecipar taxas ou volumes de recursos que devem fazer parte do Plano Safra para o ciclo 2017/2018, previsto para ser anunciado em junho.

O chefe da pasta de Agricultura afirmou que não vê problema na liberação de compra nas culturas perenes, como cana-de-açúcar, café e florestas. "Mas para culturas anuais tenho preocupação", admitiu Maggi. "Pode ter um fundo de investimento comprando 10% das áreas com grãos. Se decidir não investir mais, imagina o que aconteceria com as indústrias em Não-Me-Toque, não venderiam mais máquinas", alertou o titular do Mapa, que não considera que as terras no Rio Grande do Sul seriam alvo de aquisições. Os fundos, lembrou, buscam extensões maiores, acima de 1 milhão de hectares.

Para ele, pensar em extensões de 50 mil hectares, mesmo grandes, não são atrativas aos investidores estrangeiros. No Estado, a característica é de lotes menores, citou. Estados como Mato Grosso e Bahia estariam no cenário de risco. Maggi não sabe quando o tema será anunciado. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deu prazo – em entrevista em 15 de fevereiro – de um mês para que as regras estivessem definidas. Maggi deu a entender que ainda há muita discussão para ser feita antes de anúncios.

Sobre as regras de custeio, o ministro desconversou e falou que comentar taxas poderia influenciar o setor. Com as notícias de supersafra, tanto no Estado como no País, Maggi afirmou que "o Brasil só não está de joelhos, porque o agronegócio está inteiro". Para ele, além da safra recorde, os preços estão compensatórios, e as indústrias de máquinas sinalizam para crescimento de 20% a 30% no começo do ano, frente ao mesmo período de 2016. Ao ser questionado sobre uma proposta de gatilho para contratos que foram firmados com juros mais altos, diante de taxas que estão caindo – efeito de cortes da Selic -, o ministro sugeriu que a ideia não teria tido recepção nas áreas econômicas do governo. "Não avançou. Seria para quem pegou financiamento a 10%, e agora está em 8% para renegociar", explicou.

Nas regras para custeio, o ministro disse que busca taxas menores e que os recursos devem ser maiores que os R$ 182 bilhões do ano passado. Também anunciou que decreto ampliou em mais R$ 100 milhões a linha de crédito para aquisição de silos para armazenagem até junho. "Espero que seja suficiente. O produto não pode sair da colheitadeira para o caminhão e o navio. Tem de ser o ano todo de comercialização", reforçou Maggi.

Um dos focos da agenda ministerial na Expodireto foram encontros com ministros de relações exteriores e diplomatas de 40 países, que foram à feira para fazer contatos com empresas e fazer tratativas de abertura de negócios. O secretário da Agricultura, Ernani Polo, e o presidente da Cotrijal, Nei César Mânica, pediram apoio em revisão de custos de cabotagem para trigo. O ministro disse desconhecer a área, mas verá o que poderá fazer. Os arrozeiros pediram interferência do ministro para retomar a exportação para a Nigéria, que taxa desde 2013 a importação e derrubou as vendas. Maggi disse que vai analisar, mas preveniu que quando há alguma retirada precisa haver compensação.

O chefe do Mapa citou que o México desponta como nova fronteira. No dia 20, ministros da área estarão em Brasília dando continuidade a tratativas após crise entre o país e o novo governo norte-americano.

Arrozeiros do Rio Grande do Sul buscam uma saída para voltar a exportar mais à Nigéria

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, chegou a dizer, na Expodireto, que, se a Nigéria quiser, vende todo o arroz do Estado, ao ser questionado sobre barreiras tarifárias à exportação. O embaixador do país africano no Brasil, Adamu Azimeyeh Emozozo, que acompanhou a visita de Maggi na Expodireto e busca fabricantes de máquinas para produzir no seu país – com 70% da população na atividade agrícola -, alegou que remover a tarifa é tema das áreas de economia do país e que é preciso ver a contrapartida. Emozozo vê com bons olhos a proposta de fazer transferência de tecnologia em plantio, que foi ofertada pelo Irga.

O diretor comercial do Irga, Tiago Barata, informa que, desde 2015, há conversações para firmar um acordo de transferência de tecnologia aos nigerianos. A saída é a aposta para obter como retribuição a queda de tributação e a volta do fluxo comercial. Barata lembra que as compras nigerianas respondiam por um terço da exportação do arroz gaúcho até 2013. Em 2012, o Estado enviou um total de 2 milhões de toneladas para fora. "Mas o acordo não evoluiu, mesmo o país demonstrando interesse", diz o diretor. Para o dirigente, o Ministério da Agricultura pode ajudar a destravar, agindo nas demais áreas e na conversa com o embaixador.

O vice-presidente da Federarroz, Alexandre Velho, também vê potencial no México, que compra 700 mil toneladas ao ano de fora, mas será preciso rever acordo fitossanitário que está em vigor e que tem restrição à importação do Brasil. O setor gaúcho reagiu à forma como a Emater-RS divulgou, chamando de supersafra de verão. "Não é supersafra. No caso do arroz, vamos repor a média de cinco anos, pois, no ano passado, houve queda de 16% na colheita." A previsão é de 8,5 milhões de safra do grão, e quase 31 milhões no conjunto com soja, milho e feijão.

MARCO QUINTANA/JC

Patrícia Comunello, de Não-Me-Toque

Fonte : Jornal do Comércio