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Expansão eólica precisa de condições de transmissão

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Dos cerca de 20 mil MW em projetos em carteira, apenas de 3 mil a 4 mil MW estão com a transmissão garantida para disputar leilões

Jefferson Klein

MARCELO G. RIBEIRO/ARQUIVO/JC

Elbia defende mais investimentos em modais adequados

Elbia defende mais investimentos em modais adequados

Apesar de o planejamento energético do País ter evoluído na questão de emparelhar os investimentos em geração com os de transmissão de energia, ainda é preciso aprimorar o desenvolvimento desse último segmento para não atravancar a ampliação do parque eólico nacional. A presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Melo, afirma que, dos cerca de 20 mil MW em projetos eólicos em carteira, apenas de 3 mil MW a 4 mil MW estão com a transmissão garantida para disputar os próximos leilões.

Os leilões são os mecanismos criados pelo governo federal (tanto para a área de geração como para a de transmissão) para viabilizar novos empreendimentos no País (usinas, linhas e subestações). Saem vencedores os complexos que apresentarem custos mais vantajosos à sociedade. Elbia ressalta que os leilões de transmissão precisam acontecer antes dos de geração. Com isso, seria possível evitar que uma usina seja concluída, mas não possa entregar a energia por falta de conexão à rede.

A dirigente aponta esse como um dos pontos para que o setor eólico alcance a chamada “sustentabilidade”. Outra preocupação é quanto à logística de transporte de equipamentos, que são cargas pesadas e de enormes proporções, cujo deslocamento é muito oneroso. Elbia defende que é necessário desenvolver opções, além do modal rodoviário, para realizar essas operações. A cabotagem seria a alternativa, contudo, mesmo tendo evoluído no deslocamento de contêineres, esse segmento ainda tem que melhorar o trabalho com cargas especiais.

A executiva também almeja a formação de uma cadeia forte de fornecedores e a redução da carga tributária. Elbia enfatiza que o setor eólico nacional tem potencial para se tornar exportador de equipamentos, principalmente para a América Latina e África, que não devem atingir a capacidade de escala de produção do Brasil. Atualmente, o País verifica em torno de 5,2 mil MW eólicos instalados, o que corresponde a cerca de 4% da matriz elétrica nacional. Até o final de 2018, com toda energia eólica contratada até o momento, a expectativa é de alcançar aproximadamente 14,2 mil MW eólicos instalados, o que deve representar entre 8% a 9% da matriz (dependendo ainda do crescimento das outras fontes). Elbia adianta que, para este ano,, a perspectiva é que os leilões contemplem entre 2 mil MW a 3 mil MW eólicos (algo entre 50% a 80% da demanda média de energia do Rio Grande do Sul).

A presidente da ABEEólica admite que o resultado eleitoral pode alterar o planejamento energético brasileiro. “Porém, a posição da eólica não mudará muito, pois é uma fonte competitiva, limpa e renovável. Ficará como está ou melhorará, mas para as demais fontes pode mudar muito, dependendo se o presidente será pró-ambiente ou não”, prevê Elbia.

A pesquisa “Desafios do setor de energia eólica no Brasil: uma abordagem sistêmica” confirma que ainda há um grande espaço para a energia eólica. O trabalho foi elaborado por Naya Jayme Ringer, dentro do programa de pós-graduação em Administração de organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP. A pesquisadora defende que, para desenvolver o segmento, é importante que se altere a forma de ampliação da rede elétrica e se organize o ambiente institucional do setor elétrico. No entanto, destaca que a fonte é uma solução para complementar a geração hídrica no País. Naya salienta que a eólica contribui para a formação de um parque gerador mais sustentável e com custos competitivos.

Fonte: Jornal do Comércio