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EUA barram carne bovina in natura do Brasil

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Karime Xavier / Folhapress

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) anunciou ontem a suspensão das importações americanas de carne bovina in natura do Brasil devido a "recorrente preocupação" em relação à segurança dos produtos do país.

De acordo com comunicado do USDA, desde março – quando a operação Carne Fraca foi deflagrada – os EUA já rejeitaram 11% da carne brasileira enviada ao país ante uma média de 1% para a carne originária de outros países.

Desde a implementação da inspeção mais rigorosa, em março, o Serviço de Inspeção de Segurança Alimentar (FSIS, na sigla em inglês) recusou 106 lotes de carne bovina do Brasil, o que representa cerca de 862 toneladas de produtos brasileiros rejeitados devido "a preocupações com a saúde pública, condições sanitárias e questão de saúde animal". "É importante notar que nenhum dos lotes rejeitados chegou ao mercado americano", ressaltou o USDA, na nota.

De acordo com o órgão, a suspensão ficará em vigor até que o Brasil tome as medidas corretivas necessárias. "Embora o comércio internacional seja uma parte importante do que fazemos no USDA, e o Brasil há muito tempo é um dos nossos parceiros, minha primeira prioridade é proteger os consumidores americanos", ressaltou o secretário de agricultura americano, Sonny Perdue.

A proibição ocorre menos de um ano depois da assinatura de um acordo, em julho do ano passado, que incluiu o Brasil na cota de países beneficiados com tarifas preferenciais para a importação de carne bovina pelos EUA.

A União Europeia também cobrou do Brasil na semana passada um "amplo plano" de ações para solucionar problemas sanitários verificados em cargas brasileiras de carne desde março, sob risco de também barrar o produto brasileiro até o fim do ano.

No início da semana, o Ministério da Agricultura já havia suspendido preventivamente a exportação aos EUA de cinco frigoríficos do Brasil (três da Marfrig, um da JBS e outro da Minerva). A decisão ocorreu após técnicos americanos terem detectado "não conformidades" na carne vendida aos EUA.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Camardelli, disse ao Valor, na quarta-feira, que essas "não conformidades" estão relacionadas à vacina contra a febre aftosa. O problema é que uma das reações que a vacina provoca é o aparecimento de caroços e abscessos próximos à região do corpo do animal onde a vacina é aplicada.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor