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EUA avaliam compensação a produtor de algodão do Brasil

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Fonte:  O Globo | Fernando Eichenberg  | Correspondente

WASHINGTON. A Câmara dos Estados Unidos deverá votar hoje pela manutenção ou a suspensão do pagamento de US$147 milhões anuais aos produtores de algodão brasileiros, previsto no acordo estabelecido entre os governos de Washington e Brasília. A emenda de autoria do deputado democrata Ron Kind (Wisconsin), que propõe a interrupção do pagamento ao fundo administrado pelo Instituto de Algodão do Brasil (IBA), foi debatida ontem à noite pelos deputados e teve a votação adiada, em princípio, por um dia.

O pagamento foi estipulado no acordo selado entre os dois países decorrente do litígio iniciado em 2002 no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), no qual o Brasil contestou os subsídios concedidos pelo governo americano aos seus produtores de algodão. No ano passado, a OMC autorizou o Brasil a aplicar retaliações por meio da elevação da tarifa de importações e da quebra de patentes, num valor de sanções estimado em U$829 milhões.

Os EUA se comprometeram a alterar até 2012 a sua política de subsídios ao algodão, e a pagar uma compensação anual U$147 milhões aos produtores brasileiros, utilizada por um fundo para desenvolver o setor algodoeiro nas áreas de tecnologia, produtividade e combate a pragas e doenças.

A Casa Branca manifestou sua preocupação com a possível aprovação da emenda e uma eventual suspensão do pagamento da compensação aos produtores brasileiros, alertando para o perigo de retaliações.

Uma solução definitiva para o caso dos subsídios aos cotonicultores americanos, e o fim do conflito com o Brasil, é esperada para o ano que vem, quando o Congresso deverá debater e modificar a chamada Lei Agrícola (Farm Bill).