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EUA ajudaram JBS no 2º tri, dizem analistas

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Sob grande expectativa do mercado, a JBS divulgará hoje o resultado do trimestre mais turbulento de sua história. Iniciado com um terço da produção de carne bovina paralisada no Brasil devido à Operação Carne Fraca, o segundo trimestre terminou com o país em ebulição devido à delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da holding que controla a empresa. Embora os eventos policiais tenham afetado a companhia, a avaliação dos analistas é que a JBS registrou bom desempenho, impulsionada pelo momento favorável nos EUA.

Considerando a média das estimativas de BTG Pactual, Citi, Itaú BBA e UBS, a JBS teve lucro líquido de R$ 459 milhões de abril a junho. Se confirmado, será um resultado inferior ao do mesmo período de 2016 (R$ 1,5 bilhão), mas o ganho bilionário daquele período foi alavancado por uma variação cambial de cerca de R$ 2,5 bilhões.

A expectativa positiva com o resultado da JBS no segundo trimestre ajuda a explicar parte da alta das ações da empresa. Outros fatores – o acordo com os bancos no Brasil para renegociar dívidas de curto prazo, a retomada dos abates de bovinos e o avanço do plano de venda de ativos – também dão suporte ao movimento de valorização das ações.

Na sexta-feira, os papéis subiram 5,6% na B3, maior valorização do Ibovespa. No acumulado da semana passada, as ações da JBS subiram 7,3%. Desde o pior momento após as delações, em 22 de maio, a empresa dos Batista recuperou R$ 6,6 bilhões em valor de mercado, fechando sexta-feira avaliada em R$ 22,9 bilhões.

Em relatório, os analistas Thiago Duarte e Vito Ferreira, do BTG Pactual, dizem que os "sólidos" resultados nos EUA nas três principais proteínas – bovinos, frangos e suínos – "mais que compensam" a queda dos abates de gado no Brasil e o "impacto reputacional" da delação.

Responsável por cerca de 50% das vendas da JBS, os negócios nos EUA atravessam um momento de custo das matérias-primas favorável e demanda por carne aquecida no mercado americano e para exportação.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) compilados pela Federação dos Exportadores de Carnes daquele país, os embarques americanos de carne bovina cresceram 15% no primeiro semestre, para 442,3 mil toneladas, e os de carne suína aumentaram 11%, para 966,2 mil toneladas.

Também nos EUA, a subsidiária Pilgrim’s Pride, de carne de frango, surpreendeu os analistas. Listada na Nasdaq, a empresa controlada pela JBS teve lucro líquido de US$ 233,6 milhões, 52% a mais que em igual intervalo de 2016. A margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou em 18,7%, ante 13,9% um ano antes.

Conforme os analistas Alexander Robarts e Marcelo Inoue, do Citi, o resultado da Pilgrim’s ficou acima do esperado, refletindo as exportações aquecidas nos EUA e a demanda americana mais forte no verão, com a "temporada de churrasco".

Nesse contexto positivo nos EUA, a média das estimativas de BTG, Citi, Itaú e UBS para o Ebitda consolidado da JBS ficou em R$ 3,4 bilhões, 19% acima dos R$ 2,8 bilhões do segundo trimestre de 2016. Assim, a margem Ebitda consolidada da JBS deve ficar entre 8,5% e 9%, segundo os analistas. Entre abril e junho, a margem foi de 6,6%. A média para a receita líquida da JBS está em R$ 40,6 bilhões, uma redução de 7% em relação ao segundo trimestre do ano passado.

Para o Brasil, que representa 25% das vendas da JBS – incluindo exportações a partir do país -, os analistas trabalham com um cenário de recuperação da Seara, a divisão que reúne a área de alimentos processados, carne de frango e carne suína no país. Para os analistas Antonio Barreto e Thomas Budoya, do Itaú BBA, a queda de 31,5% dos preços do milho ao longo deste ano favorecem as margens da Seara, que sofreu muito com o milho caro em 2016.

Para além do lado operacional, que preocupa menos os analistas, ainda há receios no que diz respeito a eventuais provisões no balanço, destacou o BTG, em relatório. Conforme o Valor informou na semana passada, o balanço da JBS será publicado sem o parecer do auditor. Porém, isso não deve causar problemas como a antecipação de pagamento dos detendores dos bonds, tanto dos títulos emitidos pela JBS S.A, quanto pelas controladas da JBS nos EUA em nos outros países.

 

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor