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ETH fará troca de ações para assumir Biocom

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A ETH Bioenergia estuda fazer uma troca de ações com o grupo Odebrecht, seu controlador, para assumir a fatia de 40% que a construtora tem na Biocom (Companhia de Bioenergia de Angola). A proposta será apresentada ao conselho de administração da empresa nos primeiros meses de 2012.

O presidente da ETH, José Carlos Grubisich, diz que o valor envolvido na troca de ações ainda está sendo discutido. "O swap vai envolver a ETH, que caminha para moer 40 milhões de toneladas de cana, e a usina de Angola, que terá capacidade de 2,5 milhões de toneladas", acrescenta Grubisich.

  

A Biocom é uma joint venture formada pelo grupo Odebrecht (40%), o grupo angolano Damer (40%), de capital privado, e a estatal petrolífera Sonangol (20%). A usina está sendo implantada no município de Cacuso, na província de Malanje, e deve começar a operar em 2013. "Com a troca de ações, passaremos a operador e gestor do projeto em Angola", diz Grubisich.

A unidade terá foco prioritário em açúcar para atender o mercado interno angolano. A capacidade instalada será para produção de 200 mil toneladas de açúcar cristal. "No futuro, o projeto pode crescer e também atender ao mercado externo, em especial o da Europa, que importa açúcar da África com condições diferenciadas de taxas", destaca.

Já a capacidade de produção de etanol anidro na unidade será de 30 milhões de litros e a de eletricidade, de 200 mil Megawatts/hora (MWh).

No Brasil, a companhia inaugura hoje a nona e última usina dessa primeira fase de investimentos no país, que se encerra no ano que vem, com aportes totais de R$ 8 bilhões. Localizada em Perolândia e batizada de Água Emendada (GO), a unidade terá capacidade para produzir 300 milhões de litros de etanol e 280 gigawatts/hora de eletricidade a partir do bagaço de cana.

A companhia estuda ainda a ampliação da usina Eldorado, em Mato Grosso do Sul, da moagem atual de 2,5 milhões de toneladas para 6 milhões de toneladas.

Na próxima safra, a 2012/13, a ETH estará, portanto, com nove usinas em operação com capacidade industrial instalada para moer 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A moagem efetiva deve atingir 25 milhões de toneladas, que é a previsão de disponibilidade de cana no ano que vem, segundo Grubisich. Ainda assim, o processamento será praticamente o dobro das 14 milhões de toneladas realizadas na atual safra (2011/12), em finalização.

O executivo estima que somente conseguirá atingir a moagem de 40 milhões de toneladas de cana na safra 2013/14. Para isso, a empresa está plantando este ano 120 mil hectares de cana e planeja plantar outros 130 mil hectares em 2012.

Quando atingir sua capacidade total, a empresa prevê estar entre as primeiras produtoras de etanol no país com 3 bilhões de litros. A companhia estará produzindo 2.700 gigawatts/hora de energia a partir do bagaço de cana. "O açúcar faz parte da nossa estratégia no Brasil, mas com participação de 20% a 25% no nosso mix", diz Grubisich.

Fonte:  Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo