Etanol puxou o aumento do volume de vendas da Raízen no 1º trimestre

Em um cenário de desaceleração da economia, a Raízen Combustíveis, braço de distribuição de Cosan e Shell, conseguiu no primeiro trimestre do ano crescer, ainda que em patamares mais modestos do que no mesmo intervalo de anos anteriores. De janeiro a março, o volume de vendas da empresa cresceu 3,3% na comparação com igual período de 2014. Gasolina e diesel, os produtos mais importantes para a distribuidora, avançaram mais timidamente, a 1,8% e 0,3%, respectivamente. O que fez a diferença foi o etanol hidratado, cujo volume vendido foi 28% superior ao apurado no primeiro trimestre de 2014.

Usado diretamente no tanque dos veículos e concorrente da gasolina C no mercado de carros-flex, o hidratado ficou mais competitivo nas bombas e atraiu o interesse do motorista. Somando-se os números de todas as distribuidoras de combustíveis do país, as vendas de etanol aos postos cresceram 27%, para 3,967 bilhões de litros no primeiro trimestre deste ano no país, enquanto no mesmo intervalo a demanda por gasolina C recuou 2%, para 10,3 bilhões de litros, de acordo com dados Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Nelson Gomes, presidente da Cosan, afirmou ao Valor que o avanço do hidratado sobre a gasolina C não preocupa a companhia, ainda que a margem da distribuidora com a venda do derivado fóssil seja maior do que o retorno com a venda do etanol. Isso porque esse crescimento robusto do volume de hidratado deverá convergir, ao longo dos próximos trimestres, com os níveis de crescimento da gasolina.

O executivo ressalta que, no primeiro trimestre deste ano, havia um estoque elevado de etanol nas usinas, o que pressionou as cotações do biocombustível e elevou sua atratividade na bomba em relação ao concorrente fóssil. "O quadro deve se ‘normalizar’ aos padrões médios dos anos anteriores". Em 2014, por exemplo, os volumes de venda de gasolina e de etanol cresceram a taxas mais parecidas: 9,7% e 10,6%, respectivamente.

A guinada no consumo de etanol no país no primeiro trimestre, no entanto, não se refletiu na rentabilidade esperada ao elo produtor do biocombustível – onde a Cosan também atua, por meio da Raízen Energia. As usinas da companhia, maior processadora de cana-de-açúcar do país, registraram no primeiro trimestre um preço médio de venda de etanol no mercado interno de R$ 1.339 por m3, 8% acima dos R$ 1.244 por m3 do trimestre anterior (de outubro a dezembro de 2014). Se considerados os preços médios das vendas internas e das exportações, o resultado é uma queda de 10% no preço médio de venda no primeiro trimestre deste ano na comparação com o último trimestre de 2014. "A estratégia de entressafra foi rentável. Mas os preços não subiram tanto. Não foi tão positivo quanto imaginávamos", disse Gomes.

Além da Raízen (Combustíveis e Energia), a Cosan consolida em seus resultados o desempenho dos negócios de lubrificantes, gás natural (Comgás) e terras (Radar). No primeiro trimestre do ano, a companhia teve um prejuízo líquido de R$ 43,7 milhões, que refletiu, entre outros fatores, os efeitos da desvalorização cambial e também da separação dos resultados da Rumo Logística a partir do quarto trimestre do ano passado. De janeiro a março de 2014, a Cosan registrou lucro líquido de R$ 256,1 milhões.

Para 2015, a Cosan projeta uma receita consolidada até 15% maior do que a de 2014, de R$ 45 bilhões, conforme guidance divulgado na quarta-feira. Para a Raízen Combustíveis. A despeito de um crescimento de volumes menor, projeta um Ebitda até 16% mais robusto, para R$ 2,5 bilhões. A estimativa para a Raízen Energia é de crescimento na moagem de cana de até 5%, para 60 milhões de toneladas. "O clima foi bom. Estamos mais para o topo do guidance", afirmou Gomes.

Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo