Estudo aponta uso do bagaço de cana-de-açúcar como alternativa de energia sustentável

Fonte:  Ruralbr

Professor da UNB afirma que o Brasil ainda precisa avançar em tecnologias e aproveitamento de biocombustíveis

O Brasil precisa desenvolver uma matriz energética mais sustentável e os biocombustíveis são apontados como a melhor alternativa, por serem menos poluentes, gerarem empregos, renda e oferecerem riscos menores que o petróleo. Este último, além de ser um recurso finito sofre muitos impactos de questões geopolíticas como guerras e conflitos sociais. O trabalho realizado nessa área pelo professor da Universidade de Brasília (UNB), Luiz Gentil, resultou no livro "Biocombustíveis". Um dos tópicos da obra trata da queima do bagaço de cana-de-açúcar para a geração de energia sustentável.
– Nós levantamos as características de 40 biocombustíveis, animais e vegetais, e propomos uma nova matriz energética para o Brasil. Podemos produzir uma energia mais limpa, em termos de emissões de CO2, e gerar desenvolvimento regional, emprego e renda – explicou Gentil.
O levantamento realizado no estudo tem um texto eclético e inclui aspectos financeiros, sociais, econômicos e de tecnologia de ponta. De acordo com o professor, o Brasil pode aumentar a quantidade de energia produzida de forma sustentável no país.
– A biomassa é uma alternativa aos combustíveis fósseis, como gás, carvão mineral e petróleo. Entre as biomassas que estão na linha de frente e podem resultar em curto prazo em aproveitamento e economia, está o bagaço da cana – apontou o professor. 
Segundo Gentil, o Brasil tem livre por ano cerca de 130 milhões de toneladas de bagaços de cana, que poderiam render na matriz energética e elétrica do Brasil. Essa matéria-prima pode ser usada aproveitando o potencial 440 usinas de açúcar no país. No entanto, essa alternativa não é utilizada pelo governo federal.
– Esse texto tem um dos propósitos de alertar o governo para a legislação obsoleta existente, onde não se encontra um marco regulatório. Essas alternativas podem aliviar os blecautes, gerando desenvolvimento e fazendo com que o Brasil cumpra os acordos internacionais nos protocolos ambientais – disse Gentil.
Variações no preço do etanol

O professor ainda defendeu uma regulamentação melhor para que os estoques de etanóis não sejam controlados pelas empresas nas usinas de açúcar. Para ele, os órgãos federais devem fazer estoque do etanol, mantendo a oferta e a demanda em um patamar regulado.

– É uma questão muito simples de resolver. O etanol vem da cana, a cana é um produto agrícola sazonal, a demanda cresce todos os anos, em alguns anos existem maiores produções e em outros, menores produções. Como se não bastasse, ainda existem os estoques reguladores, pequenas atitudes administrativas, por parte governo federal, eliminariam esse problema – disse Luiz Gentil.

De acordo com o professor, o Brasil pode e deve crescer no curto prazo. Para ele, o país tem grandes mercados, o açúcar, o etanol e o bagaço de cana, que é o terceiro grande ativo para gerar eletricidade.

– Essa questão do etanol é passageira e é uma simples questão de administração do governo federal dos estoques de etanol. Não é uma questão de produção da agricultura – finalizou Gentil.

Assista à entrevista completa sobre o assunto: