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Estímulo à venda de algodão

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Enquanto os preços do milho e da soja têm desestimulado vendas da safra 2016/17, as cotações do algodão têm animado os produtores brasileiros. O mais recente levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada (Imea) mostra que em Mato Grosso, principal Estado produtor da pluma, as vendas chegaram a 65,5% da produção estimada de 986,618 mil toneladas na safra 2016/17, cuja colheita começa no fim deste mês. Em maio de 2016, as vendas da produção da safra 2015/16 estavam em 51,7% da produção estimada para aquele ciclo.

Os dados também mostram que as vendas do ciclo 2017/18 já começaram e atingiram 257,507 mil toneladas. Se a produção for a mesma da estimada para a safra atual, a comercialização da safra nova já chega a 26,1%. No mesmo período de 2016, as vendas antecipadas do algodão da safra 2016/17 nem haviam começado.

"Ao contrário dos grãos, o preço está bom", afirma Daniel Latorraca Ferreira, superintendente do Imea. Segundo ele, esse patamar de vendas não é exatamente uma novidade para o período. "O produtor tem a tradição de fazer a comercialização até duas safras antes quando as condições de mercado possibilitam", diz.

Ontem, os contratos de segunda posição em Nova York terminaram o dia a 78,77 centavos de dólar a libra-peso, enquanto em igual período de 2016 os contratos para a mesma posição estavam em 61,32 centavos de dólar a libra-peso. "O preço está em patamar bem elevado, e o produtor não perdeu oportunidade de fazer as vendas para a próxima safra", analisa Ferreira.

O consultor da Safras & Mercado, Cezar Marques da Rocha Neto, lembra que houve duas quebras de safra consecutivas nos dois principais Estados produtores da fibra – Mato Grosso e Bahia, o que valorizou as cotações no mercado doméstico. "O comprador estava pagando um preço mais alto para manter a fibra no Brasil", diz. Neste ano, por outro lado, os preços externos estão mais remuneradores, o que incentiva as exportações.

A demanda aquecida externa pelo algodão tem dado suporte às cotações. Isso, aliado à expectativa uma boa produção no Brasil, sinaliza um quadro favorável para o cotonicultor. De acordo com projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção da pluma no país deve alcançar 1,489 milhão de toneladas no ciclo 2016/17, alta de 15,5% em relação ao ciclo anterior.

"Pelo que estamos observando, tem produtor na Bahia que vai colher a melhor safra da história neste ano", diz o consultor da INTL FCStone, Eder Silveira.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) já divulgou a primeira previsão para a safra 2017/18 no Brasil, estimando uma produção de 1,524 milhão de toneladas.

Empresas produtoras de algodão do país confirmam que as vendas estão adiantadas. Segundo Aurélio Pavinato, presidente da SLC Agrícola, aproximadamente 75% da produção do ciclo 2016/17 foi vendida pela média de 74,6 centavos de dólar a libra-peso. Da safra 2017/18 – que só será semeada no fim de setembro – já foi vendida 40% da produção esperada, por 76,4 centavos de dólar.

Na Terra Santa, a venda da safra atual chegou a 81% da estimativa de produção de pluma, negociada a 0,74 centavo de dólar a libra-peso. No caso do ciclo 2017/18, a venda atingiu 21%, a 0,81 centavo de dólar a libra-peso.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor