Estimativa para laranja no Brasil faz suco subir em NY

A produção de laranja na região formada por São Paulo, Triângulo Mineiro e sudoeste de Minas Gerais, que abriga o maior parque citrícola do mundo, deverá alcançar 278,99 milhões de caixas de 40,8 quilos nesta safra 2015/16, conforme estimativa divulgada ontem pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido pelas grandes indústrias de suco e por produtores da fruta.

Trata-se da primeira estimativa de safra fundamentada em um inventário de árvores citrícolas do cinturão em questão realizado pelo Fundecitrus em parceria com a organização de projetos e pesquisas Markestrat, a Faculdade de Economia e Administração (FEA/USP) de Ribeirão Preto e com a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV/Unesp). Não há, portanto, uma base de comparação.

Reunidas na Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), as grandes indústrias – Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Commodities -, calcularam para a temporada 2014/15 uma produção de 308 milhões de caixas na região.

Conforme estimativas recentes do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão ligados à Secretaria da Agricultura de São Paulo, no Estado a produção em 2015/16 deverá atingir 284,4 milhões de caixas, 2,2% a menos que em 2014/15. Mas esse número também incluiu frutas de pomares sem expressão econômica.

Como o número das indústrias para 2014/15 se tornou a principal referência sobre a oferta brasileira na formação das cotações do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) em Nova York nos últimos meses, a divulgação do volume previsto pelo Fundecitrus para 2015/16, a partir de um total de 174,13 milhões de árvores produtivas na região, motivou a valorização da commodity ontem na bolsa americana.

Os contratos futuros com vencimento em setembro, que atualmente ocupam a segunda posição de entrega, fecharam a US$ 1,1495 por libra-peso, em alta de 3,89% em relação à véspera. Conforme cálculos do Valor Data, mesmo assim a segunda posição passou a acumular quedas de 0,3% neste mês, de 17,78% em 2015 e de 26,85% em 12 meses.

E essas quedas só não são maiores em razão dessa redução da oferta de laranja, também observada na Flórida, que reúne o segundo maior parque citrícola do planeta. Como a menor produção tende a reduzir os estoques de suco de laranja na mão das grandes indústrias reunidas na CitrusBR – há quem projete queda de 447 mil toneladas, em 30 de junho próximo, para 200 mil no fim do primeiro semestre de 2016 -, analistas acreditam que as cotações poderão encontrar maior sustentação apesar da retração do consumo em mercados como os EUA. (Colaborou Camila Souza Ramos)

Fonte: Valor | Por Fernando Lopes | De São Paulo