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Estado elege 40 pleitos para agricultura familiar

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Ações devem embasar plano nacional para o setor a partir de 2015

Rafael Vigna

ANTONIO PAZ/JC

Demandas gaúchas ao projeto nacional serão escolhidas hoje

Demandas gaúchas ao projeto nacional serão escolhidas hoje

O resultado de 18 conferências territoriais no Rio Grande do Sul foi condensado em 40 propostas para o desenvolvimento da agricultura familiar em todo o País. A abertura da 2ª conferência estadual do setor, realizada ontem em Porto Alegre, debateu mais de 200 aspectos, divididos em sete eixos temáticos. As demandas gaúchas apresentadas ao projeto de criação de um plano nacional, em 2015, serão escolhidas hoje pelos delegados territoriais.
Desenvolvimento socioeconômico, reforma agrária, abordagem territorial na promoção da qualidade de vida, gestão e participação social, autonomia das mulheres, juventude rural e etnodesenvolvimento estão no centro da pauta, que deve criar uma série de políticas públicas. Batizado de Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, o próximo passo do projeto ocorre em outubro, durante a segunda edição da conferência nacional.
Ontem, ainda foram eleitos os 46 representantes gaúchos para a plenária de Brasília. Conforme explica o delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Marcos Regelin, cada território conta com 12 delegados – com paridade de gênero -, divididos entre lideranças governamentais, sociedade civil e jovens do meio rural. O objetivo do evento é redistribuir as propostas elaboradas nas diversas regionais do Estado para formular uma pauta gaúcha. Regelin antecipa prioridades recorrentes e que devem estar entre as demandas escolhidas pelos representantes territoriais ao longo da plenária de hoje. Entre os destaques está a educação.
“Há necessidade de qualificação do campo para o campo. É preciso de maior valorização dos filhos dos agricultores, e a assistência técnica gratuita também é bastante solicitada, assim como o reordenamento fundiário, de maneira mais democrática. Isso significa regularizar as muitas propriedades de agricultores familiares que ainda carecem de registro e envolvem uma política específica nas três esferas institucionais e na questão cartorial”, revela.
Outro item em evidência diz respeito ao apoio à comercialização. Por isso, estão em discussão os mecanismos, capazes de criar um cenário de concorrência mais justa e que amplie a oferta dos mercados já institucionalizados para a produção agrária das pequenas propriedades.  O diretor de Agricultura Familiar da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativa, José Batista, também avalia como essenciais as políticas de sucessão que incentivem a permanência dos jovens no campo. Neste aspecto, a geração de renda desponta como o grande auxiliar para a melhoria da qualidade de vida nas zonas rurais.
No que se refere às tecnologias, Batista defende a democratização do acesso, essencialmente para os laticínios, segmento em que a carga de trabalho pode ser facilitada com a ajuda de maquinários adequados. “Existem tecnologias, mas elas demandam investimentos. Os agricultores menores precisam ter acesso a isso até mesmo como forma de agregar valor à produção de derivados”, complementa

Fonte: Jornal do Comércio