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Espírito Santo pede volta do contrato futuro do conilon

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Objetivo é vislumbrar as tendências de preços e dar oportunidade aos cafeicultores de acessar os mecanismos de proteção contra volatilidade

cafe_conilon_graos (Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)

O presidente da OCB-ES, Esthério Colnago, avaliou que a reabertura aos contratos dará transparência ao mercado do Conilon(Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)

A Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag/ES) iniciou conversações com os executivos da Bolsa B3, em São Paulo, com o objetivo de solicitar estudos sobre a possibilidade da reabertura da negociação dos contratos de café conilon no mercado de futuros agrícolas.

O secretário Octaciano Neto encaminhou na semana passada um ofício ao Conselho Nacional do Café (CNC) pedindo apoio para a consolidação deste projeto. “A solicitação está baseada na convicção de que o Estado possui expertise nas áreas produtivas e de qualidade na produção de café conilon, mas ainda falta expertise de mercado”, justifica o secretário.

O gerente de agroecologia e produção vegetal da Seag/ES, Marcus Magalhães, explicou que a reabertura dos contratos futuros do café conilon na Bolsa dará condição ao produtor de vislumbrar as tendências dos preços e, principalmente, ter a isonomia de tratamento e possibilidades mercadológicas já existentes na soja, no milho, no boi gordo e no café arábica. ”Não podemos deixar o nosso café Conilon fora dos mercados futuros. O que queremos dar aos produtores de café conilon é a chance de acessar um mecanismo de proteção de preço utilizado globalmente”, disse ele.

Magalhães acrescentou que após feita a solicitação à B3, a Seag/ES buscou o apoio dos setores do mercado do café, tanto produtores quanto compradores, e, agora, será elaborado um plano de negócio junto à Bolsa B3 para mapear o potencial do negócio e estudar a viabilidade da reabertura dos contratos futuros.

Em nota divulgada pela Seag/ES, o presidente da OCB-ES, Esthério Colnago, avaliou que a reabertura aos contratos futuros dará transparência ao mercado do Conilon. “Hoje o mercado se baseia na Bolsa de Londres e, com essa reabertura, passará ser na Bolsa de São Paulo.  A principal vantagem é a transparência, pois todos saberão o preço e a disponibilidade do café no mercado. O Conilon tem produtividade e qualidade, mas falta ainda informação. Com o conhecimento ficará mais fácil a tomada de decisões”, avaliou.

Já o presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Jorge Nicchio, afirmou que a Bolsa é um parâmetro para o cafeicultor negociar seu produto e uma oportunidade para que ele garanta um bom preço. "Sem dúvida o que define a necessidade dessa reabertura é o crescimento da importância do café conilon em nível mundial, nos últimos anos. Somos o segundo país maior produtor de conilon do mundo e também o segundo maior consumidor de café do mundo. O conilon ocupava cerca de 25% do mercado de café em meados de 1980, e a previsão é que até 2020 esse número chegue a 45%, ou seja, ele possui um destaque muito maior do que há 30 anos".

  • Fonte : Globo Rural