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Escoamento de grãos pelo Norte e Nordeste só será amenizado a partir de 2014

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Em debate realizado pela Globo Rural, especialistas debatem futuro da infraestrutura no país

por Alana Fraga e Luciana Franco

Editora Globo

Da esquerda para a direita: Bruno Blecher, Luiz Carlos Corrêa Carvaho, Luiz Antonio Fayet, Edeon Vaz Pereira e Rodrigo Koelle, durante o evento na Editora Globo

Os principais gargalos da infraestrutura logística brasileirapara o agronegócio e as possíveis soluções que podem amenizar o escoamento das próximas safras foram discutidos no debate Caminhos da Safra, promovido pelaGlobo Rural nesta terça-feira (18/9) em São Paulo. Com amediação do diretor de redação da revista, Bluno Blecher, o debate teve a participação do coordenador do Movimento Pró-Logística, Edeon Ferreira, do presidente da Câmara Logística do Mapa, Luiz Antônio Fayet, do gerente de logística da Cargill, Rodrigo Koelle, e do presidente da Abag,Luis Carlos Corrêa Carvalho.

Segundo Fayet, em 2009, mais de 38 milhões de toneladas de soja e milho produzidas no chamado Arco Norte – que engloba as regiões Norte e Nordeste – foram escoadas pelos portos do Sul e Sudeste do país, principalmente Paranaguá (PR) e Santos (SP).

Em 2011, das 50,1 milhões de toneladas de grãos que saíram dos portos para o mercado internacional, 45,5 milhões de toneladas vieram do Arco Norte. Com esses números, os especialistas ressaltaram a necessidade de investimentos tanto para o tráfego dentro do país como para o aumento da capacidade dos portos, especialmente de São Luís (MA), Santana (AM), Santarém e Vila do Conde (PA). "O Brasil gasta hoje quatro vezes mais do que aArgentina e os Estados Unidos (no escoamento dos grãos apara exportação). Isso significa que estamos jogando no ralo uma brutalidade de dinheiro porque não temos sistema portuário eficiente. A ferrovia Norte-Sul está pronta, pode chegar lá em cima com facilidade, e não estamos chegando por falta de porto. Se tivéssemos porto em São Luís capacitado, poderíamos tirar a safra por lá. O Brasil mudou de patamar e as elites precisam mudar de patamar", afirmou Fayet.

Para Edeon Ferreira, os gargalos logísticos que afetam o escoamento da produção só serão resolvidos a partir de 2014. Ele destacou que o escoamento da safra 2012/13 será tão difícil quanto o da safra atual, uma vez que temosapenas 60% da capacidade de armazenagem da nossa safra, diferente do Canadá, por exemplo, que tem capacidade para 150% da sua safra", salientou.

O déficit de terminais de contêineres foi um apontado como outro grande problema por Fayet. "Não tenho visto projetos na área de contêineres", ressaltou. Segundo ele, uma empresa abatedoura de frangos do Paraná, que abate500 mil aves por dia, tem a intenção de ampliar a capacidade diária para 750 mil, mas não concretiza o fato porineficiência no transporte de contêineres. "Contêineres guardam cargas de até US$ 2 mil por tonelada e não existe investimento para expansão deste segmento, o que é gravíssimo", explicou.

Licenças ambientais

Os debatedores foram unânimes em ressaltar a necessidade de que o Plano de Logística anunciado recentemente pelo Governo Federal, com investimentos de R$ 133 bilhões para os próximos 25 anos, garanta a emissão de licenças ambientais. “Muitos investimentos ficam travados por anos esperando a liberação das licenças e isso não pode mais continuar acontecendo. Na construção da BR 158 ficamos dois anos discutindo se a estrada atravessaria uma reserva agrícola ou se contornaria. Ficou decidido contornar, mas gastou muito tempo para isso”, diz Ferreira.

Segundo o diretor de logística da Cargill, as obras da rodovia BR 163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), podem estar 96% concluídas até dezembro de 2013, se o ritmo atual for mantido. "Se não parar, já está bom. A falta decontinuidade das obras é o maior problema da infraestrutura brasileira", disse Rodrigo Koelle.

Fonte: Globo Rural